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sexta-feira, 12 de abril de 2013

As Cinco Chagas do Senhor

O primeiro ato de adoração às Santas Chagas foi realizado por Maria Santíssima, quando desceram Jesus da Cruz. De São Tomé até nossos dias, muitos foram os devotos e propagadores desta belíssima devoção.
Jesus é descido da Cruz. Cuidadosamente, Nicodemos, José de Arimatéia e São João O conduzem até Maria Santíssima e O depositam em seu virginalíssimo regaço. Sentada, Ela O acolhe transida de dor e O adora. Enquanto as Santas Mulheres preparam os bálsamos com que em breve irão ungi-Lo, para ser depositado no sepulcro, Ela oscula, uma a uma, suas Chagas: a do peito rasgado, as dos divinos pés e mãos. Realiza-se ali o primeiro ato de devoção e adoração às Chagas do Redentor, que iria perpetuar-se por todas as gerações. A Bem-Aventurada por excelência rende o mais perfeito culto de latria às fontes sagradas de onde jorrou o Sangue que redimiu total e superabundantemente todo o gênero humano.
Por causa daquelas Santíssimas Chagas, Ela fora preservada do pecado original e aos homens de boa vontade abriram-se as portas do Céu. Cinco fontes de graças infinitas, plenas de formosura, saciando a santidade das almas contemplativas, missionárias e apostólicas, selando a coroa de glória dos mártires e as vitórias de todos os tempos. Eis o manancial que nos purifica no Batismo, nos revivifica na Eucaristia e dá fecundidade a toda a Santa Igreja, nos seus sacramentos. Eis a santa argamassa que, ligada aos sacrifícios dos homens, erguerá os mais belos monumentos e poemas da Civilização Cristã.
                                                                 * * *
 “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos. Aproxima a tua mão e mete-a no meu lado”. Poucos dias após a ressurreição, é o próprio Redentor que convida o incrédulo Tomé a ter devoção às suas Santas Chagas. Já deslumbrado, ele respondeu-Lhe: “Meu Senhor e meu Deus!” As tíbias almas que dificilmente se deixam convencer, a progênie dos cépticos, a própria incredulidade, quase se diria, sucumbiram no instante mesmo em que aquele feliz e invejado Apóstolo introduziu seu dedo no lado de Jesus.
São Francisco de Assis, Santa Gemma Galgani, São Pio de Pietrelcina — enfim, uma legião de santos e almas virtuosas — foram galardoados com os estigmas da Paixão de Cristo. É um modo maravilhoso de Ele condecorar alguns daqueles a quem mais ama, na face da terra. É seu invisível e puro amor tornado visível em seus prediletos, para perpetuar na memória dos homens a bem-aventurança daqueles que acreditam sem terem visto e tocado as Chagas do Senhor, como Tomé.
A devoção às Santas Chagas não é privilégio apenas de algumas almas, mas o é também de nações. Em Portugal, por exemplo, ela é muito antiga e marcou profundamente a piedade dos fiéis, quase desde os alvores da nacionalidade.
Camões, em seu imortal poema, “Os Lusíadas”, na dedicatória ao rei Dom Sebastião, registra em versos essa antiga e piedosa tradição, gravada também na bandeira nacional e no escudo heráldico da Casa Real: 
Vede-o no vosso escudo, que presente
Vos amostra a vitória já passada,
Na qual vos deu por armas e deixou
As que Ele para si na Cruz tomou.

A devoção às Chagas de Jesus Cristo, sinais amorosos de seu martírio e, posteriormente, de sua glorificação, aperfeiçoam em nós a gratidão, que leva a pagar amor com amor, até o holocausto total, por Deus e pelos irmãos. 


Hino às Santas Chagas do Senhor

Cinco fontes de graças infinitas,
Ó Chagas, cheias de alta formosura,
Aceitai a tensão humilde e pura
Das palavras que digo e tenho ditas.

E quantas na minha alma têm escritas
Mil culpas feias, com mão feia e dura,
Curai com vossa graça e com brandura,

Ó Chagas d’meu Senhor, Chagas benditas.
No sacro Sangue que de Vós correu
Se cure; e lave e gaste e purifique
As nódoas que com dor nelas estou vendo.

Por vós, que belas sois, formosa fique,
Por vós resplandecente entre no Céu,
Onde vos veja estar resplandecendo.

(Liturgia das Horas, festa das Cinco Chagas: Hino do Ofício das Leituras)





domingo, 24 de fevereiro de 2013

Paróquia Nossa Senhora das Graças

“Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes”.( Mt 25,40)

Em uma tarde como as outras e os moradores de Caieiras desempenhavam suas funções rotineiras quando, de repente, ouviram um ruído de carro e alguém os chamar.

Eram as irmãs da Sociedade de Vida Apostólica Regina Virginum ( ramo feminino dos Arautos do Evangelho) que levando uma consoladora mensagem de confiança em Nossa Senhora, distribuíam medalhas, livros e presentes aos fiéis da Paróquia Nossa Senhora das Graças











sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O rei e o menino

Numa manhã de primavera, o rei resolveu fazer um passeio pelas ruas da capital. Pululavam-lhe na memória as tristes recordações do passado, no qual a morte visitara o palácio real. Primeiro foi a rainha, e pouco tempo depois, o príncipe, seu único herdeiro.
Enquanto contemplava as prósperas avenidas, repletas da população respeitosa e reverente à sua passagem, pensava que o fruto de sua honesta e sábia administração estava destinado a perecer após sua morte. Não encontrava em nenhum dos súditos e parentes as qualidades de espírito e a religiosidade indispensáveis para a salvaguarda de um reino cristão.
As densas nuvens que lhe turvavam a alma suavizaram-se um pouco à vista da catedral.
— Parai aqui, disse ao cocheiro, que quero rezar. Adentrando o sagrado recinto, o rei dirigiu-se à imagem de São José. Ali, brotou-lhe do fundo da alma uma prece:
— Ó bondoso pai de Jesus, a cujos pés vieram rezar, no decorrer dos tempos, também os meus antepassados. Entrevejo desde já as desgraças e desavenças que tomarão conta do reino após minha morte, caso eu parta desta vida sem deixar descendência. Vós, que tivestes sob vossa tutela o Rei dos reis e Senhor dos senhores, intercedei por mim junto Àquele que governa o universo.
Já no caminho de volta para o palácio, a carruagem dourada do soberano se deteve num cruzamento. Os olhos do monarca recaíram sobre um menino pobremente vestido que atravessava a rua. Impressionado pela semelhança que havia entre ele e o exherdeiro, mandou chamá-lo.
O pequeno aproximou-se timidamente e perguntou:
— Majestade, em que posso servi-lo?
— Senta-te ao meu lado, quero conversar contigo.
A princípio envergonhado por suas pobres e sujas roupas, o menino foi se esquecendo de sua miserável condição. Tão bondoso era o rei, e tão à vontade o deixara que sua atenção estava completamente voltada para o grande soberano.
— Como te chamas, e quem são teus pais?
— Chamo-me José, porque nasci no dia da festa desse santo. Quanto aos meus pais... eles morreram faz muito tempo. Eu moro com uma tia que não gosta muito de mim. Durante o dia eu peço esmolas, para aliviar um pouco as privações.
Diante desse menino frágil e necessitado, o rei discerniu um sinal do Céu.
— José, queres vir comigo para o palácio real, onde ocuparás o lugar do príncipe? Tu serás a partir de agora o meu filho, e quando Deus me chamar à Sua presença, tu serás o rei desta nação.
O pequeno menino abriu a boca, mas não conseguiu dizer nada. Aquele convite era completamente desproporcionado com sua humilde condição! Com muito esforço respondeu:
— Estou pronto para fazer a vossa vontade, meu senhor. Chegando ao palácio, o rei disse para toda a corte:
— Desejo que este menino seja meu herdeiro. Quando eu morrer, ele será o novo monarca. Levem-no para o quarto de dormir de meu falecido filho, vistam-no com suas roupas, ofereçam-lhe os alimentos que desejar, sirvam-no como fariam ao príncipe.
José foi sendo educado, tornouse moço e convivia de modo perfeito com o rei. Tudo corria com normalidade, porém no espírito do monarca nasceu uma interrogação: “Esse menino me quererá verdadeiramente bem? Ser-me-á agradecido pelo que recebe? Tornar-se-á digno de um dia dirigir meu reino? Ou será ele um ingrato que me agrada por interesses momentâneos? Para obter respostas seguras a essas indagações, vou submetê-lo a uma dura prova, pois se não o fizer, minha generosidade pode significar grande estultice”.
No dia seguinte o rei pôs em prática a dura prova para o príncipe. Passou a fingir que não lhe demonstrava a mesma amizade, que não o compreendia bem. Olhava-o com indiferença, e até com certa distância. Concedia-lhe audiências curtas, prestava-lhe pouca atenção, evitava-o em favor de coisas menos importantes. Chegou a ponto de conversar com terceiros, na presença dele, sobre reis viúvos e sem filhos que casaram novamente, tiveram prole e asseguraram sua descendência.
— Quem sabe se eu sigo o exemplo deles, contraio outras núpcias e tenho um herdeiro do meu próprio sangue?
Ao cabo de vários meses neste regime, o rei mandou um nobre da corte experimentar José.
— Não sei o que se passa, príncipe José, mas sinto nosso soberano muito mudado. Percebo que ele já não te devota o mesmo afeto de antes. Creio que para ele, já não és mais seu filho.
— Sim, nobre marquês, hei de concordar que o rei está muito sério e formal. Entretanto, não faz parte de seus direitos tratar-me conforme queira? Eu recebi tanto dele! Ainda que ele me tire tudo, eu o servirei a vida inteira!
Sem demora o marquês foi levar a resposta ao rei. Ficou assim comprovada a lealdade do coração do príncipe, o que muito consolou o monarca. Contudo, ele ainda precisava de uma derradeira demonstração de fidelidade do príncipe.
Certa madrugada, mandou acordá-lo e trazê-lo à sua presença.
— Preciso incumbi-lo de uma missão perigosa e confidencial. Em país distante há um preso que espera uma mensagem minha. Nesta noite mesmo, terás de sair disfarçado do palácio, viajar para lá, dizer que és meu filho, deixar-te prender e seres conduzido ao mesmo cárcere, para assim poder transmitir o meu recado à pessoa em questão.
O jovem, embora surpreso, não hesitou em responder:
— Meu senhor e pai, farei isso com todo o empenho. A que horas devo partir? Como se chama o preso? Qual é a mensagem que Vossa Majestade quer que lhe seja transmitida?
O rei deu ao príncipe as instruções necessárias e acrescentou:
— Você tem uma hora para estar pronto. Diga-me “até logo” e vai-te embora.
O rapaz se inclinou e se retirou.
Na hora exata, apresentou-se disfarçado diante dos guardas à porta do palácio. Mas, para sua surpresa, eles o impediram de sair, dizendo:
— O rei ordena que voltes para teu quarto! Ele retornou e o monarca o acolheu com transbordamentos de agrado. Estava assegurada a sucessão ao trono naquele reino mítico e maravilhoso...
* * *
Foi um sábio quem compôs essa história, à qual podemos dar a seguinte interpretação: tendo Deus criado os anjos para reinarem no Céu, olhou com tristeza os tronos que os seguidores de Lúcifer deixaram vazios. Chamou, então, os pobres homens para ocuparem aqueles lugares esplendorosos, muito acima dos seus merecimentos; e a fim de comprovar o grau de amor e gratidão de cada um, decidiu submetê-los a provações.
Se nelas formos fiéis, pelos rogos misericordiosos de Maria Santíssima, Nosso Senhor nos introduzirá no Paraíso, dizendo: “Servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor” (Mt 25, 21).

sábado, 27 de outubro de 2012

A misericórdia triunfa sobre a justiça

 Há muito tempo, morava numa cidade da França uma jovem senhora cujo marido morrera, deixando-a com dois filhos pequenos: Guilherme e Roberto. A boa mãe não poupava esforços para lhes dar sólida educação cristã, a fim de serem mais tarde homens honestos e virtuosos como o fora seu pai.
Passavam-se os anos, e ambos cresciam fortes, saudáveis e inteligentes. Eram muito diferentes, porém, quanto ao comportamento: o mais velho, Guilherme, revelava-se disciplinado, estudioso e amante da oração; o mais novo, ao contrário, causava não poucas preocupações à mãe, por ser revoltado, insolente e dado à vadiagem. A pobre viúva esforçava-se por corrigi-lo, mas ele reagia com orgulho contra todas as suas admoestações.
Assim, quando os dois chegaram à idade de escolher cada qual seu rumo na vida, Guilherme decidiu seguir a carreira de Direito, a exemplo de seu falecido pai. Roberto deixou-se levar pelas suas más inclinações, juntou-se a maus companheiros, caiu no vício do jogo e um dia declarou sua intenção de partir: não se sentia bem no ambiente familiar, desejava viajar, conhecer o mundo! Indiferente às lágrimas maternas, abandonou o lar e o afeto dos seus. À desolada mãe só restava um recurso: redobrar de orações pela recuperação do filho desviado.
Pouco mais de dez anos depois, Guilherme foi nomeado juiz da cidade. Por sua honestidade e competência, em pouco tempo tornou-se famoso em toda a província: não havia problema que ele não resolvesse, injustiça que não punisse. Todos o respeitavam e estimavam.
* * *
Mas nem tudo era ordem e alegria naquela cidade. Uma perigosa quadrilha de salteadores assolava a região, deixando em pânico os moradores. As casas eram saqueadas, os proprietários despojados de seus objetos de valor. Se algum viajante aventurava-se à noite pelas estradas, os bandidos o assaltavam sem piedade e lhe roubavam tudo: dinheiro, jóias, cavalo, nada poupavam.
Guilherme promoveu uma caça sem tréguas aos terríveis malfeitores. De início, seus esforços revelavam-se vãos, pois os ladrões, espertos e conhecedores do terreno, várias vezes escaparam praticamente por entre os dedos da polícia.
À vista disto, o juiz decidiu percorrer os pontos mais vulneráveis das estradas, para intensificar as operações de patrulhamento. Na volta, havia já caído a noite. A pequena escolta policial cavalgava decidida e sem medo, mas com a estranha sensação de estar ameaçada por um iminente perigo.
De súbito, ouviu-se um grito agudo. Era o sinal de ataque dos bandidos, emboscados atrás das árvores. De todos os lados saltaram homens armados e atacaram os policiais e seu comandante. Guilherme, rodeado por três salteadores, defendeu-se com destreza e valentia, recebeu uma profunda ferida, ficou todo ensanguentado, mas manteve-se firme na sela, lutando e animando seus companheiros. O combate, embora árduo, foi curto. Os delinquentes fugiram, desaparecendo na escuridão.
Levado às pressas para a cidade, Guilherme recebeu socorros médicos e logo viu-se fora de perigo. Uma grave impressão, porém, o inquietava. Ele julgava ter reconhecido, à luz pálida da lua, a fisionomia do assaltante que o atacara com mais furor e conseguira feri-lo: parecia ser seu irmão, Roberto... Mas, na dúvida, não quis revelar isso a ninguém.
A polícia redobrou seus esforços e, poucos dias depois, capturou o chefe do bando, o qual foi sem tardança conduzido ao tribunal para ser julgado. Ao vê-lo, Guilherme não teve mais dúvida alguma: quem quase o tinha matado naquela noite era de fato Roberto, seu irmão! Longe de demonstrar arrependimento, este tentava apresentar-se seguro de si, ostentando modos insolentes.
Embora emocionado, o juiz não podia deixar de fazer justiça. Por seus inúmeros roubos, o salteador merecia longos anos de prisão; e pela tentativa de assassinato de um magistrado do reino, a lei era bem clara: o réu devia ser enforcado no prazo de três dias.
Na hora marcada para a execução, o condenado foi conduzido à praça principal da cidade, onde uma multidão estava à espera, desejosa de presenciar o fim do bandido que durante tanto tempo espalhara o pânico entre os pacíficos habitantes da região.
Triste espetáculo aquele! Rodeado de guardas e bem amarrado, o infeliz se arrastava em direção ao patíbulo. Sua atitude, porém, parecia mudada. A proximidade da morte o fez refletir sobre a loucura da sua vida de vício e de crimes. Uma expressão de dor e arrependimento desenhava-se em sua fisionomia, e seus lábios moviam-se silenciosamente. Estaria recitando alguma oração aprendida na infância?
* * *
O lúgubre cortejo chegou, enfim, junto à forca. Já o carrasco fazia os últimos preparativos para a execução quando uma mulher, derramando abundantes lágrimas, fendeu a linha dos soldados, lançou-se ao pescoço do criminoso e o cobriu de carícias. Nenhum guarda ousou afastá-la, pois todos perceberam tratar-se da mãe do condenado... e do juiz!
Aquele bandido era o filho por quem ela chorava e rezava havia tantos anos. Quanta dor naquele reencontro! Roberto achava-se sob o peso de uma sentença pronunciada por seu próprio irmão... Dentro de alguns instantes a desolada viúva perderia para sempre o filho. Seu coração jamais suportaria que em sua presença se consumasse a execução! Correu ao tribunal, prostrou-se aos pés do juiz e suplicou graça para o condenado. Ante a veemência dos rogos maternos, Guilherme deixou-se comover: “Minha mãe, a ti nada posso negar!”
Isto dito, dirigiu-se com ela apressadamente até o local do suplício. O trágico espetáculo ia já chegando ao fim: o bandido estava com a corda no pescoço, em um instante estaria pendurado e seu corpo sem vida seria o mudo testemunho da justiça executada.
O juiz adiantou-se, mandou desamarrá-lo e, apresentando-o à multidão, declarou: — Quando este homem compareceu diante de mim para ser julgado, não o olhei como meu irmão, mas como criminoso. Sobre ele pesavam duas sentenças distintas: longos anos de prisão, por roubos e violências; e pena de morte, pela tentativa de assassinato. Quanto à primeira, eu não podia transigir. Com relação à segunda, sim, pois uma excepcional circunstância fazia de mim, ao mesmo tempo, o ofendido e o juiz. Contudo, não usei de condescendência, por entender que o bem comum e o exemplo da justiça deviam prevalecer sobre o amor fraterno. Mas um coração materno fez-me uma pungente súplica à qual não posso ser insensível. Entre a justiça implacável e a gravidade do delito entrou o timbre suave da misericórdia. Como poderia eu deixar de atender um pedido vindo de tal advogada? Este homem — meu irmão — terá de pagar no cárcere o mal que fez à sociedade, mas a intercessão materna salvou-lhe a vida.
* * *
Na verdade, o dramático episódio narrado nestas páginas é apenas uma pálida imagem da situação de cada um de nós. Por nossos pecados, quantas vezes nos tornamos merecedores das punições de Deus! Temos, porém, no Céu uma intercessora incomparavelmente mais poderosa e cheia de misericórdia que a pobre viúva desta história. Por meio de seus rogos, Nossa Senhora pode alcançar-nos de seu Divino Filho o que Ele, por sua justiça, não nos concederia. Com filial alegria, tenhamos, portanto, uma confiança sem limites em sua intercessão, pois Ela a justo título é chamada a “Onipotência Suplicante”.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Oração a Jesus Sacramentado

Senhor meu Jesus Cristo, que, por amor aos homens, ficais dia e noite neste Sacramento, todo cheio de misericórdia e amor, esperando, chamando e acolhendo todos os que vêm visitar-Vos, eu creio que estais presente no Sacramento do altar. Adoro-Vos do abismo do meu nada e agradeço-Vos todas as graças que me tendes feito, especialmente a de Vos terdes dado a mim neste Sacramento, a de me haverdes concedido por advogada Maria, vossa Mãe Santíssima, e finalmente, a de me haverdes chamado a visitar-Vos nesta igreja.
Saúdo hoje o vosso Coração amantíssimo e quero saudá-lo por três fins: primeiro, em agradecimento pelo grande dom de Vós mesmo; segundo, em reparação das injúrias que tendes recebido, neste Sacramento, de todos os vossos inimigos; terceiro, com a intenção de Vos adorar, por esta visita, em todos os lugares da Terra onde Vós, neste divino Sacramento, estais menos reverenciado e mais abandonado.
Meu Jesus, amo-Vos de todo o meu coração. Arrependendo-me de, no passado, ter ofendido tantas vezes a vossa bondade infinita. Proponho, com a vossa graça, não mais Vos ofender no futuro. E nesta hora, embora miserável como sou, eu me consagro todo a Vós e Vos dou e entrego a minha vontade, os meus afetos, os meus desejos e tudo o que me pertence. Daqui em diante fazei de mim, e de tudo o que é meu, o que Vos aprouver. Somente Vos peço e quero o vosso santo amor, a perseverança final e o perfeito cumprimento da vossa vontade.
Recomendo-Vos as almas do Purgatório, especialmente as mais devotas do Santíssimo Sacramento e da Santíssima Virgem Maria. Recomendo-Vos também todos os pobres pecadores. Enfim, meu amado Salvador, uno todos os meus afetos aos afetos do vosso Coração amantíssimo e, assim unidos, eu os ofereço a vosso Eterno Pai, pedindo-Lhe, em Vosso nome e por vosso amor, que Se digne de os aceitar e atender. Assim seja.
Santo Afonso Maria de Ligório – Oração para antes da Visita ao Santíssimo Sacramento

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Atividades na Capela Nossa Senhora de Fátima

Em suas atividades apostólicas, as Irmãs da Sociedade de Vida Apostólica Regina Virginum levaram a Imagem de Nossa Senhora de Fátima às famílias e rezaram o terço.


Mais um Batismo realizado na Paróquia Nossa Senhora das Graças na Capela Nossa Senhora de Fátima no Parque Petrópolis - Serra da Cantareira.






quarta-feira, 18 de julho de 2012

Capela Nossa Senhora de Fátima - Parque Petrópolis

Em um ambiente todo feito de respeito, tranquilidade e benquerença, sob a bênção divina foi apresentada uma peça teatral para os fiéis da Capela Nossa Senhora de Fátima da Paróquia Nossa Senhora das Graças.










quarta-feira, 4 de julho de 2012

Capela Sagrado Coração de Jesus


Consagração à Nossa Senhora na Capela Sagrado Coração de Jesus da Paróquia Nossa Senhora das Graças - Arautos do Evangelho


Coral formado pelas crianças da Paróquia


Lanche após a cerimônia 


segunda-feira, 18 de junho de 2012

A arte de comer com espírito

Em culinária, a qualidade dos ingredientes e o esmero na preparação dos pratos não são suficientes para agradar os convivas. Os aspectos psicológicos e espirituais têm grande relevância na boa mesa.
Uma das últimas tendências gastronômicas em Paris acena para a “arte de comer com espírito”, segundo notícia da conhecida revista parisiense “Figaro Magazine”. Ressalta ela também a existência de uma “recusa de portar-se à mesa de modo enfadado”. Após prevenir o riso irônico que essa afirmação pode provocar — pois, em princípio, ninguém senta-se de má vontade à mesa — a revista acrescenta:
“Entretanto, nem todos os restaurantes estão aptos a atenderem tais requisitos. Claro está que ninguém vai comer as cortinas das salas de jantar, mas no momento atual o ambiente tornou-se um dos pontos fundamentais do bom acolhimento nos estabelecimentos. A decoração absorve tanto a atenção do “maître” como a dos clientes.
“Hoje em dia as pessoas não se contentam mais com restaurantes onde há apenas pratos brancos, sem decoração. Desejam mais. Querem um complemento para a alma, que seja um prolongamento do ambiente familiar, que tenha alguma transcendência, algo de imponderável. Inúmeros são os restaurantes que chamam a atenção para o elemento surpresa, para o que não se esperava.”
Conclui a Revista afirmando que nos restaurantes o papel preponderante não pode mais ser reservado exclusivamente aos alimentos enquanto tais. Eles devem ser apresentados de modo agradável e decorativo.
 * * *
Durante décadas, certa publicidade materialista vem inculcando a idéia de que, em matéria de alimentação, não se deve dar qualquer importância aos aspectos psicológicos, ou seja, à bela apresentação dos pratos, arrumação das mesas, decoração dos ambientes. Pois, afirma-se, uma vez saciada sua necessidade de nutrição, o homem está suficientemente atendido, podendo o restante ser excluído de suas preocupações.
Ora, esta é uma doutrina errada, pois o homem é composto de corpo e alma — ou melhor, na ordem certa, de alma e corpo — e justamente nisto consiste sua semelhança com os anjos, puros espíritos. E atender, no campo da gastronomia como em qualquer outro, tão somente a um dos seus elementos constitutivos, acaba produzindo a atrofia do outro. Este é precisamente o malefício imposto pela mencionada mentalidade consumista materialista à sociedade atual.
Por este motivo, é alentadora a notícia de que, afinal, depois de ser comprimida durante tanto tempo, a apetência do belo e do bem-arranjado ressurge com uma força inesperada: “As pessoas não se contentam mais com restaurantes onde há apenas pratos brancos, sem decoração. Desejam mais. Querem um complemento para a alma”.
Note-se que Paris sempre foi considerada a capital gastronômica do mundo. E isto, tanto no que diz respeito à alta culinária dos restaurantes caros e selecionados, quanto no tocante ao nível médio ou mesmo popular. Por outro lado, o público francês sempre foi dos mais exigentes nesta matéria, não aceitando meias-medidas. Isto dá especial realce ao fato de que, tendo podido atender geralmente a todos os requisitos de uma boa alimentação corporal, os parisienses sintam agora maior necessidade de “um suplemento para a alma”.
Numa sociedade que levou quase ao delírio o culto dos bens meramente materiais, esta notícia só pode ser recebida com alento por aqueles que almejam também pelos bens do espírito. Tanto mais se considerarem que as manifestações dessa forte tendência talvez sejam os primeiros lampejos de uma renovação muito mais ampla, pela qual clama a alma humana.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A glória de João Ninguém

Pe Ignacio Montojo
Há poucos dias, encontrava-me rezando o Rosário numa igreja de São Paulo, quando, sem me dar conta, interrompi a oração para analisar um personagem que acabava de entrar.
Pobremente vestido, seu andar e seu rosto denotavam um homem maltratado pelos anos e por duros sofrimentos. Tudo nele indicava o que no mundo de hoje se chama um “fracassado na vida”, ou, em outros termos, um “João Ninguém”: sem dinheiro, sem saúde, sem prestígio, talvez sem amigos.
Tomado de compaixão pelo pobre homem, notei com alegria que, ao passar diante do Tabernáculo, dobrou ele um dos joelhos e fez pausadamente o sinal-da-cruz. Pensei com meus botões: “Pelo menos é batizado, tem fé, é um membro da Santa Igreja.”
E mal terminei essa cogitação, dei-me conta do paradoxo nela inserido: “Pelo menos...é batizado!!!”
Quando, certo dia, um sacerdote derramou água sobre a cabeça deste pobre João Ninguém e disse: “Eu te batizo, em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”, algo de muito especial aconteceu na sua alma. As três divinas pessoas da Santíssima Trindade passaram a habitá-la. Tornou-se possível para ele crer nas verdades da Santa Igreja, esperar a recompensa demasiadamente grande do Céu e amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Viu-se ele transformado em filho adotivo do Rei do Universo e herdeiro de seu maravilhoso Reino. Ficou limpo da terrível culpa de nossos primeiros pais, o pecado original, e abriram-se para ele as portas do Céu.
Sim, por efeito do Batismo, todo João Ninguém é elevado a um nível que nem o governante mais poderoso, o gênio mais brilhante, o filósofo mais erudito poderiam alcançar por sua própria natureza e méritos.
E a pessoa não-batizada, em que situação está?
Imaginemos um lindo passarinho que, entretanto, nasceu aleijado e — coitadinho! — nunca levantou vôo. Andou pelos campos e quiçá até traçou um caminho reto... Mas se não voar, que será ele em relação às outras aves?
O infortúnio desse pássaro imaginário é semelhante ao do homem não-batizado. Tal como a ave incapaz de voar, ele tem sua finalidade truncada, ainda que levando uma vida direita. Pois não possui as asas da Fé, Esperança e Caridade para cumprir a finalidade de todo ser humano, isto é, “conhecer, amar e servir a Deus e mediante isto salvar sua alma”, conforme nos ensina Santo Inácio.
Mas, poderíamos pensar, o que fez esse João Ninguém para merecer tal glória? Não haveria outros que mereceriam mais? Esta é uma pergunta baseada exclusivamente nos critérios humanos. Ninguém recebe a graça do Batismo por merecimento próprio, mas sim pelos méritos infinitos de Jesus que nasceu de Maria Virgem, padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos e foi crucificado para nos redimir. Quando na Cruz Ele, “inclinando a cabeça, entregou o espírito” (Jo 19, 30), conquistou para João Ninguém e para a humanidade inteira essa graça incomensurável.
Após estas reflexões sobre a grandeza de todo “pobre” João Ninguém, tabernáculo da Santíssima Trindade, ofereci o resto do meu Rosário para agradecer o dom imenso do Batismo, não só a Nosso Senhor Jesus Cristo, mas também a Maria, sua Mãe Santíssima, pois Ela deu seu consentimento para que seu Filho Divino morresse por nós, e contribuiu com suas lágrimas para resgatar todos os João Ninguém que passam despercebidos diante dos “grandes” do mundo.

sábado, 5 de maio de 2012

Igreja e o trabalho

Mais do que o lugar em que as almas dos fiéis são atraídas para o culto a Deus, a igreja é a forja na qual se tempera a vida espiritual de cada missionário, dourada pelos raios divinos da graça e enrubecida pelo sofrimento que faz sangrar a alma ou o corpo, nas grandes imolações e nos gloriosos triunfos da vida interior. 


No altar a imagem de Maria sorri aos aflitos e aos pecadores, ostentando-lhes seu Coração Imaculado, como promessa de perdão e de socorro. E assim são atraídas por uma devoção que é característica de nossa Fé, devoção que constitui em si mesma um modelo primoroso de delicadeza e de elevação moral.
Realmente, é na oração do templo, é na meditação, é no estudo, é no recolhimento da vida interior, que a Fé se firma e adquire aquele vigor, aquela extensão, aquela firmeza necessária para projetar seus princípios sobre os setores da atividade material e moral dos homens. É no templo, pois, com o auxílio da graça de Deus, que as almas se formam, que as inteligências se iluminam, que as vontades se temperam, e que o fruto do trabalho interior floresce em permanentes resoluções salutares. Em seguida, essas ideias acumuladas pela vida interior e tornadas ardentes pelo zelo, tendem a se difundir de modo benéfico sobre todas as criaturas.
E vem então o trabalho, que, posto ao serviço da contemplação e do estudo, é o canal pelo qual as maravilhas operadas por Deus nas almas se derramam em torrente benéfica sobre a humanidade.