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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O homem que sabia o dia de sua morte

O jovem Conde Rodolfo, homem saudável e forte, de formosa aparência, destro no manejo das armas, exímio cavaleiro e hábil caçador, imaginava que jamais morreria ou que, pelo menos, isto só lhe aconteceria depois de muitos e muitos anos.
Numa fria tarde de outubro de 1321, embrenhou-se ele na densa floresta, perseguindo a presa que tentava escapar-lhe. Quando já começava a escurecer, avistou entre as árvores algo que lhe parecia uma parede. Cansado de cavalgar, desmontou, aproximou-se e viu que era uma antiga capela abandonada. Entrou. Tudo estava em ruínas: vitrais quebrados, bancos virados, poeira acumulada, morcegos, etc.
De qualquer forma, pensou, há paredes e teto, é melhor do que nada. Juntando alguns bancos, improvisou um leito e, exausto como estava, logo adormeceu.
Noite alta, acordou ouvindo um som de sinos. Extremamente surpreso, esfregava os olhos e não conseguia acreditar no que via: a pequena capela estava iluminada e repleta de fiéis. No altar, um sacerdote celebrava a Missa. Perto do presbitério, estava um caixão. Era, pois, uma Missa de corpo presente, concluiu ele.
— Desculpe-me, senhora, mas na intenção de quem está sendo celebrada esta Missa? — perguntou. —
Então Vossa Senhoria não sabe quem morreu? É um nobre cavaleiro da região de Zurique, que se perdeu nesta floresta durante uma caçada e foi encontrado morto hoje... dia 26 de outubro de 1371. O Conde Rodolfo estremeceu todo. Com um estranho pressentimento, quis saber quem era esse cavaleiro. Aproximou-se do caixão, levantou o véu que cobria o rosto do defunto e... sentiu um terrível calafrio. O morto era ele! Já estava envelhecido, é certo, mas não restava dúvida alguma de que era mesmo ele que estava naquele caixão.
Dando um grito de susto... acordou. Percebeu então que aquele terrível sonho era um aviso do Céu: morreria exatamente dali a 50 anos.
Saiu da igreja e retornou ao esplêndido castelo de sua família, onde se realizava uma magnífica festa. Em meio à alegria e aos divertimentos, pensou: “50 anos é muito tempo. Quer saber de uma coisa? Vou fazer uma divisão inteligente: nos primeiros 25 anos, gozarei a vida e nos 25 restantes me prepararei seriamente para a morte”.
Passou, assim, 25 anos de diversões, caçadas, festas, alegria contínua. Mas... escoaram-se muito rapidamente! Então, o Conde decidiu: “Ora, ora, 25 anos é tempo demais de preparação para a morte. Assim, os próximos 15 anos serão um prolongamento dos 25 que já se foram. Quando faltarem só 10, aí sim, me prepararei seriamente”.
E assim sucedeu... Foram mais 15 anos de prazeres, que transcorreram mais rapidamente que os 25 anteriores. A cada término de prazo, o Conde fazia nova “divisão inteligente” do tempo restante, chegando, desta forma, ao derradeiro mês de sua vida.
Um mês apenas!... Era, pois, preciso despedir-se dos familiares e amigos. Mandou carta a todos os nobres vizinhos, convidando-os para uma grande caçada. Em 25 dias, estavam todos reunidos no seu castelo. Foram três dias de intensa comemoração.
Restavam-lhe agora apenas dois dias!
“Não posso deixar sair meus convidados sem um banquete de despedida” — pensou o Conde. E marcou um monumental almoço para o dia 25 de outubro, seu último dia de vida!
Após o banquete, sentiu necessidade de descansar um pouco, para poder então fazer uma boa confissão. Já deitado, sentiu as primeiras dores da morte iminente, chamou um criado e, com voz cavernosa, mandou trazer depressa um padre.
O fiel servo correu ao vilarejo próximo, à procura do Pároco. Enquanto isso, o Conde Rodolfo — que desperdiçara 50 anos de prazo para preparar-se — começou a ver vultos movimentando-se em torno de sua cama, como que à espera do momento de levá-lo para o inferno. Ofegante, observava a ampulheta do tempo prestes a esgotar-se. Faltando apenas cinco minutos para meia-noite, ouviu o ruído da carruagem que se aproximava, com o padre.
Tarde demais!... Antes de entrar o sacerdote, soou o primeiro badalar dos sinos, anunciando um novo dia!
Desesperado, o Conde soltou um horrível brado e... acordou verdadeiramente. Com grande alívio, percebeu que estava diante do crucifixo enferrujado da capela em ruínas no meio da floresta, onde entrara para repousar poucas horas antes.
Tudo não passara de um sonho.
De um mero sonho, não! Pois o jovem Conde Rodolfo tomou a sério o misericordioso aviso. Daí em diante, seguiu decididamente o caminho da virtude e da devoção a Nossa Senhora. Pelo exame de consciência diário e pela confissão frequente, manteve-se sempre preparado para o último e mais importante dia de sua vida: o dia de seu encontro com Deus.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

O rei e o menino

Numa manhã de primavera, o rei resolveu fazer um passeio pelas ruas da capital. Pululavam-lhe na memória as tristes recordações do passado, no qual a morte visitara o palácio real. Primeiro foi a rainha, e pouco tempo depois, o príncipe, seu único herdeiro.
Enquanto contemplava as prósperas avenidas, repletas da população respeitosa e reverente à sua passagem, pensava que o fruto de sua honesta e sábia administração estava destinado a perecer após sua morte. Não encontrava em nenhum dos súditos e parentes as qualidades de espírito e a religiosidade indispensáveis para a salvaguarda de um reino cristão.
As densas nuvens que lhe turvavam a alma suavizaram-se um pouco à vista da catedral.
— Parai aqui, disse ao cocheiro, que quero rezar. Adentrando o sagrado recinto, o rei dirigiu-se à imagem de São José. Ali, brotou-lhe do fundo da alma uma prece:
— Ó bondoso pai de Jesus, a cujos pés vieram rezar, no decorrer dos tempos, também os meus antepassados. Entrevejo desde já as desgraças e desavenças que tomarão conta do reino após minha morte, caso eu parta desta vida sem deixar descendência. Vós, que tivestes sob vossa tutela o Rei dos reis e Senhor dos senhores, intercedei por mim junto Àquele que governa o universo.
Já no caminho de volta para o palácio, a carruagem dourada do soberano se deteve num cruzamento. Os olhos do monarca recaíram sobre um menino pobremente vestido que atravessava a rua. Impressionado pela semelhança que havia entre ele e o exherdeiro, mandou chamá-lo.
O pequeno aproximou-se timidamente e perguntou:
— Majestade, em que posso servi-lo?
— Senta-te ao meu lado, quero conversar contigo.
A princípio envergonhado por suas pobres e sujas roupas, o menino foi se esquecendo de sua miserável condição. Tão bondoso era o rei, e tão à vontade o deixara que sua atenção estava completamente voltada para o grande soberano.
— Como te chamas, e quem são teus pais?
— Chamo-me José, porque nasci no dia da festa desse santo. Quanto aos meus pais... eles morreram faz muito tempo. Eu moro com uma tia que não gosta muito de mim. Durante o dia eu peço esmolas, para aliviar um pouco as privações.
Diante desse menino frágil e necessitado, o rei discerniu um sinal do Céu.
— José, queres vir comigo para o palácio real, onde ocuparás o lugar do príncipe? Tu serás a partir de agora o meu filho, e quando Deus me chamar à Sua presença, tu serás o rei desta nação.
O pequeno menino abriu a boca, mas não conseguiu dizer nada. Aquele convite era completamente desproporcionado com sua humilde condição! Com muito esforço respondeu:
— Estou pronto para fazer a vossa vontade, meu senhor. Chegando ao palácio, o rei disse para toda a corte:
— Desejo que este menino seja meu herdeiro. Quando eu morrer, ele será o novo monarca. Levem-no para o quarto de dormir de meu falecido filho, vistam-no com suas roupas, ofereçam-lhe os alimentos que desejar, sirvam-no como fariam ao príncipe.
José foi sendo educado, tornouse moço e convivia de modo perfeito com o rei. Tudo corria com normalidade, porém no espírito do monarca nasceu uma interrogação: “Esse menino me quererá verdadeiramente bem? Ser-me-á agradecido pelo que recebe? Tornar-se-á digno de um dia dirigir meu reino? Ou será ele um ingrato que me agrada por interesses momentâneos? Para obter respostas seguras a essas indagações, vou submetê-lo a uma dura prova, pois se não o fizer, minha generosidade pode significar grande estultice”.
No dia seguinte o rei pôs em prática a dura prova para o príncipe. Passou a fingir que não lhe demonstrava a mesma amizade, que não o compreendia bem. Olhava-o com indiferença, e até com certa distância. Concedia-lhe audiências curtas, prestava-lhe pouca atenção, evitava-o em favor de coisas menos importantes. Chegou a ponto de conversar com terceiros, na presença dele, sobre reis viúvos e sem filhos que casaram novamente, tiveram prole e asseguraram sua descendência.
— Quem sabe se eu sigo o exemplo deles, contraio outras núpcias e tenho um herdeiro do meu próprio sangue?
Ao cabo de vários meses neste regime, o rei mandou um nobre da corte experimentar José.
— Não sei o que se passa, príncipe José, mas sinto nosso soberano muito mudado. Percebo que ele já não te devota o mesmo afeto de antes. Creio que para ele, já não és mais seu filho.
— Sim, nobre marquês, hei de concordar que o rei está muito sério e formal. Entretanto, não faz parte de seus direitos tratar-me conforme queira? Eu recebi tanto dele! Ainda que ele me tire tudo, eu o servirei a vida inteira!
Sem demora o marquês foi levar a resposta ao rei. Ficou assim comprovada a lealdade do coração do príncipe, o que muito consolou o monarca. Contudo, ele ainda precisava de uma derradeira demonstração de fidelidade do príncipe.
Certa madrugada, mandou acordá-lo e trazê-lo à sua presença.
— Preciso incumbi-lo de uma missão perigosa e confidencial. Em país distante há um preso que espera uma mensagem minha. Nesta noite mesmo, terás de sair disfarçado do palácio, viajar para lá, dizer que és meu filho, deixar-te prender e seres conduzido ao mesmo cárcere, para assim poder transmitir o meu recado à pessoa em questão.
O jovem, embora surpreso, não hesitou em responder:
— Meu senhor e pai, farei isso com todo o empenho. A que horas devo partir? Como se chama o preso? Qual é a mensagem que Vossa Majestade quer que lhe seja transmitida?
O rei deu ao príncipe as instruções necessárias e acrescentou:
— Você tem uma hora para estar pronto. Diga-me “até logo” e vai-te embora.
O rapaz se inclinou e se retirou.
Na hora exata, apresentou-se disfarçado diante dos guardas à porta do palácio. Mas, para sua surpresa, eles o impediram de sair, dizendo:
— O rei ordena que voltes para teu quarto! Ele retornou e o monarca o acolheu com transbordamentos de agrado. Estava assegurada a sucessão ao trono naquele reino mítico e maravilhoso...
* * *
Foi um sábio quem compôs essa história, à qual podemos dar a seguinte interpretação: tendo Deus criado os anjos para reinarem no Céu, olhou com tristeza os tronos que os seguidores de Lúcifer deixaram vazios. Chamou, então, os pobres homens para ocuparem aqueles lugares esplendorosos, muito acima dos seus merecimentos; e a fim de comprovar o grau de amor e gratidão de cada um, decidiu submetê-los a provações.
Se nelas formos fiéis, pelos rogos misericordiosos de Maria Santíssima, Nosso Senhor nos introduzirá no Paraíso, dizendo: “Servo bom e fiel; já que foste fiel no pouco, eu te confiarei muito. Vem regozijar-te com teu senhor” (Mt 25, 21).

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima - Arautos do Evangelho

Sempre sob a maternal e insondável solicitude da Santíssima Virgem, as Irmãs da Sociedade Regina Virginum não se cansam de abrir novas frentes de evangelização, levando a Imagem de Nossa Senhora de Fátima às famílias dos fiéis da Paróquia Nossa Senhora das Graças.
Como em todos os lugares por onde peregrina, a imagem da Virgem de Fátima percorre e abençoa os lares, derramando sobre todos a abundância de suas misericórdias.







quarta-feira, 25 de julho de 2012

Atividades na Capela Nossa Senhora de Fátima

Em suas atividades apostólicas, as Irmãs da Sociedade de Vida Apostólica Regina Virginum levaram a Imagem de Nossa Senhora de Fátima às famílias e rezaram o terço.


Mais um Batismo realizado na Paróquia Nossa Senhora das Graças na Capela Nossa Senhora de Fátima no Parque Petrópolis - Serra da Cantareira.






terça-feira, 10 de julho de 2012

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Primeira Comunhão

O leitor certamente guarda na memória a recordação e as emoções de sua Primeira Eucaristia. É um dia dourado esse! Um dia de alegria e de serenidade, frutos do Preciosíssimo Sangue de Jesus que se recebe pela primeira vez.

A Santa Igreja tem especial cuidado em preparar bem as almas infantis para esse acontecimento tão grande e tão santo. Entre muitos outros ensinamentos, lembra-lhes Ela estas sublimes palavras do Divino Mestre: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos (Jo 6, 53).

Após receber o Sacramento da Reconciliação e renovar as promessas do Batismo, o neo-comungante se aproxima do altar. Saberá ele quantos e quão extraordinários efeitos produzirá em sua alma a Sagrada Eucaristia?

O primeiro deles, e o principal, é que Ela aumenta a união da alma com Cristo, ao entrar nesta para servir-lhe de alimento. Além disso, amplia, conserva e renova a vida da graça, recebida pelo Batismo.
Todos sabem que, quanto mais sincera e profunda for uma amizade, menor será o risco de um amigo ofender o outro. Pois bem, a Comunhão purifica os desejos e afetos, concentrando-os todos em Jesus Eucarístico, e assim preserva a alma dos pecados.

Um dos mais belos efeitos da Eucaristia talvez seja o de fortalecer e aprofundar a unidade do Corpo Místico de Cristo, ou seja, da Igreja. Não é verdade que os fiéis de todas as partes do mundo se sentem mais unidos à Igreja, e, portanto, ao Papa, quando recebem a Santa Comunhão? São incontáveis os dons concedidos pelo Deus de infinita generosidade aos homens que acorrem ao Banquete Eucarístico com boas disposições de alma, isto é, humilde e fervorosamente.

Como fazer para ter essas boas disposições ao comungar?

O meio mais eficaz é rezar a Nossa Senhora do Santíssimo Sacramento, pedindo que Ela prepare nossos corações para receber bem o Corpo de Cristo; que em todas as nossas Comunhões Ela nos ajude a repetir com sinceridade e fervor: Senhor, eu não sou digno de que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e minha alma será salva “. E que, por fim, Ela própria apresente a Jesus nossos atos de adoração, de reparação, de agradecimento e de súplica.

É, também, uma graça muito grande quando adultos pedem para fazer a Primeira Comunhão. Certamente esse dia ficará marcado em suas vidas. Nosso Senhor Jesus Cristo estava a espera que essas duas paroquianas abrissem seus corações para recebê-lo.

Peçamos a Nossa Senhora que elas possam receber Jesus Eucarístico muitas vezes ao longo de suas vidas.

sexta-feira, 30 de março de 2012

O MILAGRE EUCARÍSTICO DE DOUAI


Um prodigioso fato presenciado por multidões de fiéis e relatado pelo Bispo de Cambrai, testemunha ocular.


Ano de 1267, domingo de Páscoa, entre 8 e 9 horas da manhã. Na cidade de Douai — norte da França, a meio caminho entre Amiens e Lille — o Pároco distribuía a Comunhão aos fiéis na igreja dos cônegos de Santo Amato.

De repente, sem saber como se dera o acidente, viu uma Hóstia no chão. Consternado, pôs-se logo de joelhos e estendeu a mão para recolher a sagrada Partícula. Mas eis que Ela, por si mesma, elevou-se da terra e foi colocar-se sobre o sanguinho (toalhinha de linho usada para enxugar o cálice da Missa). Enquanto seus olhos estavam piedosamente fixos na Santa Eucaristia, viu que ela se transformava em um encantador menino.

O celebrante deu um grito e chamou os Cônegos, os quais se encontravam no coro da igreja. Acorrendo à sua voz, estes perceberam, sobre a toalhinha sagrada, o menino cheio de vida. Os fiéis presentes foram chamados e todos, sem distinção, desfrutavam dessa celestial visão.

A aparição durou cerca de uma hora. Transcorrido esse tempo, desapareceu o Menino, restando sobre o altar a branca Hóstia consagrada. Então o Pároco encerrou-a no tabernáculo e cada um dos felizes assistentes saiu publicando o milagre pela cidade e suas redondezas.

A notícia chegou aos ouvidos do Bispo de Cambrai, Dom Tomás de Cantimpré, que se dirigiu logo a Douai. Chegando à casa do Deão dos Cônegos, do qual era muito conhecido, perguntou-lhe se ele também poderia ver a Hóstia milagrosa. De pronto, este concordou e acompanhou o Prelado à igreja. Em pouco tempo reuniu-se lá uma numerosa multidão de fiéis, convocados pelo toque do sino.

O que segue abaixo é reprodução exata do relato do próprio Bispo, testemunha ocular dos fatos.

Narração do Bispo de Cambrai

Abre-se o sacrário. O povo aproxima-se. Logo após ser aberto o cibório, cada um começa a exclamar:

— Aqui está, eu O vejo!

— Eis aqui o meu Salvador!

Eu estava de pé, tomado de admiração: eu não via senão a forma de uma Hóstia muito alva, e, entretanto, minha consciência não me reprovava por nenhuma falta que pudesse impedir-me de ver, como os demais presentes, o Corpo sagrado.

Mas este pensamento não me inquietou durante longo tempo, pois logo também eu vi distintamente a face de Nosso Senhor Jesus Cristo na plenitude de sua idade. Sobre sua cabeça estava uma coroa de espinhos, e da fronte corriam duas gotas de sangue que desciam sobre cada lado do rosto. Pus-me instantaneamente de joelhos e, em prantos, O adorei.

Quando me levantei, não percebi mais nem a coroa de espinhos nem as gotas de sangue, mas vi uma face de homem, venerável além de tudo quanto se possa imaginar. Ela estava voltada para a direita, de modo que mal se podia ver o olho direito. O nariz era longo e reto, as sobrancelhas arqueadas, os olhos baixos e dulcíssimos. Uma longa cabeleira descia sobre os ombros. A barba, que nunca havia sido cortada, ondulava debaixo do queixo, e, perto da boca, a qual era muito graciosa, ela se adelgaçava, deixando de cada lado do queixo dois pequenos espaços sem pêlo, como acontece ordinariamente aos homens jovens que deixam crescer a barba desde a adolescência. A fronte era larga, as faces magras, e a cabeça, junto com o longo pescoço, inclinava-se ligeiramente.

Eis aí o retrato, e tal era a beleza dessa dulcíssima face.

Durante uma hora, os presentes viam o Salvador debaixo de formas diferentes: uns O viam estendido sobre a Cruz; outros, como vindo para julgar os homens; outros, enfim, em maior número, viam-no sob a forma de um menino.

Um milagre repetido durante vários dias

Não restou, infelizmente, nenhum outro relato de testemunha ocular do milagre. Mas o autor dos “Anais de Flandres”, falecido em Lille no ano de 1626, informa que ele durou vários dias, renovando-se cada vez que a santa Hóstia era exposta. Todos quantos entravam na igreja presenciavam o prodígio.

E a miraculosa transfiguração continuava operando-se sob diferentes formas. Na opinião do Cônego Capelle, de Cambrai, mais provavelmente as almas puras contemplavam um Menino doce e gracioso; os pecadores viam Jesus crucificado; e aos hereges Nosso Senhor se mostrava com fisionomia de Juiz irritado.

Além do depoimento do Bispo de Cambrai, uma incontestável tradição atesta de forma categórica a veracidade desse fato milagroso. Em 1356 — um século após a aparição — celebrava-se já em Douai a festa do Santo Sacramento do Milagre, e o documento que a ela faz menção indica ser essa celebração um costume já antigo.

A Hóstia miraculosa, que recebeu as homenagens de tantas gerações de fiéis, foi conservada na igreja canonical de Santo Amato até a época da Revolução Francesa.

Em 1790 a basílica foi fechada e, três anos depois, entregue ao saque. Os vasos sagrados foram quebrados, e as relíquias lá existentes desde quase dez séculos foram consumidas pelas chamas. Alguns energúmenos atiraram-se contra o altar, quebraram o tabernáculo e abriram a teca de prata na qual se guardava a Hóstia do milagre. 

Deus, porém, não permitiu este último sacrilégio: ela estava vazia, mãos piedosas haviam posto a salvo o augusto Sacramento. 

quarta-feira, 21 de março de 2012

O exemplo é o melhor dos mestres

Numa cabana em meio a um agradável bosque morava, com sua família, um velho camponês, alquebrado pelos anos. Quem sabe ele próprio a edificara, ou ao menos ajudara na sua construção. Mas depois ficara tão, tão velhinho, quase surdo, com pouquíssima visão, de joelhos trêmulos, que quase não servia mais para nada.
Vivia ele, assim, vagando de um canto a outro da casa, solitário com suas recordações, sem ter com quem conversar nem com que se distrair.
Quando, à noite, todos sentavam-se à mesa para tomar um bom prato de sopa reforçada com uma farta fatia de pão, o pobre velhinho tremia tanto, tanto, que derramava mais sopa do que conseguia tomar. Sujava a camisa e a toalha. E logo a nora, impaciente e mal-humorada, zangava-se e lhe dizia palavras ásperas.
Um dia, o filho, irritado ele também, com as debilidades senis do pai, cedeu às insistências da esposa. Obrigaram o velho a, daí em diante, fazer as refeições sentado num canto atrás do fogão, comendo numa tigela de barro. E davam-lhe tão pouca coisa que o coitado estava sempre com fome...
De seu canto, com sua pouca visão, ele levantava os olhos para espiar a família reunida à mesa. Com a mão trêmula, levava a colher à boca e engolia a sopa misturada com suas lágrimas.
Certa vez, a mão tremeu-lhe tanto que a tigela caiu e se quebrou. A nora repreendeu-o com brutalidade. Ele, na sua triste situação, nada pôde responder. No dia seguinte, ela comprou-lhe uma gamela de madeira, das mais ordinárias que havia na vendinha do carpinteiro, para substituir a tigela de barro.
O neto do velho, um menino vivo, de seus oito anos, costumava brincar próximo ao fogão. Gostava de correr pelo bosque e construía seus próprios brinquedos com os galhos de árvore e pedras que recolhia pelo caminho. Certo dia, ele parecia estar brincando com uns paus, mas fazia algo que não era um brinquedo. Intrigado e curioso, seu pai perguntou-lhe:
— O que você está fazendo, meu filho?
— Estou fazendo um cocho, papai, para o senhor e a mamãe comerem quando ficarem velhinhos — respondeu o rapaz.
Marido e mulher se olharam por algum tempo e desataram a chorar.
Lembraram-se, então, da frase do Eclesiastes, que reflete o 4º mandamento: “O que honra seu pai encontrará alegria nos seus filhos” (Ecli 3, 6). Deram-se conta de que as crianças prestam muita atenção no que vêem, analisam e tiram conclusões... E de que o exemplo — bom ou mau — é o mais poderoso dos mestres.
Resultado, atiraram ao fogo a gamela de madeira e trouxeram o velhinho de volta para seu lugar de honra à mesa, dando-lhe uma bela tigela nova e sempre cheia de sopa.
A nora fez uns grandes guardanapos para ele e, daí por diante, quando a trêmula mão derramava a sopa, fingiam não ver e nada diziam. A boa ordem familiar voltou àquela cabana. E o coração do velho encheu-se da alegria de sentir-se novamente estimado e respeitado por aqueles a quem amava e por quem havia trabalhado e sofrido ao longo de sua vida.
O exemplo dado nas boas ações tem muito mais força do que qualquer discurso, por mais erudito que seja... !

domingo, 11 de março de 2012

O simbolismo do pão e do vinho na Eucaristia

Diácono Felipe Ramos, EP

Tudo o que Jesus fez foi perfeito. Desde seus divinos ensinamentos ou seus estupendos milagres, até o mínimo gesto ou atitude. Para o mais sublime dos milagres, então, por que terá Ele se utilizado do pão e do vinho?

Quem, passeando pelos campos e vendo um trigal magnífico, dourado e pronto para a safra; ou ainda, deparando-se com uma parreira carregada de uvas de atraentes tonalidades, no ponto de serem levadas ao lagar, poderia imaginar que de toda essa poesia vai desabrochar o mais belo milagre que se passa na face da terra?

Com efeito, o trigo, depois de ceifado e colhido, é transformado em farinha, misturado com água e assado ao forno, tornando-se assim no alimento mais comum para o sustento do homem: o pão.

A uva é amassada para liberar o seu sumo, que será guardado com carinho pelo viticultor em grandes cubas, para ser fermentado, e dali sairá aquele precioso líquido que “é o júbilo da alma e do coração” (Eclo 31, 36): o vinho.

O pão e o vinho — oferecidos outrora por Melquisedec ao Senhor em sacrifício — são de tal maneira alimentos prediletos de Deus, que Ele os escolheu para operar o milagre da Transubstanciação. É sob as aparências do pão e do vinho que nosso Redentor quis permanecer conosco “todos os dias, até a consumação dos séculos” (cf. Mt 28, 20).

Alimento para a alma

Esta verdade foi contestada por algumas seitas gnósticas dos primeiros séculos do Cristianismo. Uma delas (os artotiritas) utilizava-se de pão e queijo para a Consagração. Outra (a dos catarígios) usava pão de farinha amassada com sangue de um menino de um ano, extraído por meio de finas punções! Várias outras “consagravam” água, em vez de vinho, sob pretexto de sobriedade... O mesmo fazia a seita dos maniqueus, para os quais o vinho era um “licor diabólico”.

Mas a Santa Igreja sem demora pôs fim a todos esses estapafúrdios. E ela sempre usa pão e vinho para o Sacramento da Eucaristia.

Por quê? Porque Jesus assim o fez e mandou fazer. Na Última Ceia, Ele tomou o pão, benzeu, partiu e deu a seus discípulos, dizendo: “Tomai e comei; isto é o meu corpo”. Depois tomou o cálice com vinho, rendeu graças e lhes deu, dizendo: “Bebei dele todos, porque isto é o meu sangue” (cf. Mt 26, 26-28). Assim também o ensina São Paulo, o qual afirma ter aprendido diretamente do Salvador essa mesma doutrina: “Eu recebi do Senhor o que vos transmiti: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão e, depois de ter dado graças, partiu-o e disse: Isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de Mim. Do mesmo modo, depois de haver ceado, tomou também o cálice, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de Mim” (1 Cor 11, 23-25).

Um passeio pelo mundo dos símbolos

Mas por que terá Deus escolhido pão e vinho para esse sacramento tão mais importante que os outros? O amor à Sagrada Eucaristia leva muitas almas a fazerem mais esta pergunta.

Convido o leitor a acompanhar os teólogos num atraente e formativo passeio pelos campos da Simbologia, à procura da resposta.

A Eucaristia — explicam eles — é alimento espiritual, da mesma forma como o Batismo é uma ablução da alma. E assim como a água, por servir para o banho corporal, tornou-se matéria do Batismo, pelo qual os homens são lavados espiritualmente, assim também o pão e o vinho, que restauram as forças corporais, tornou-se matéria da Eucaristia, pela qual os homens são espiritualmente alimentados.

O pão e o vinho são os mais nobres frutos do reino vegetal, com os quais se nutre e se conserva a vida do corpo, a tal ponto que Santo Irineu os qualifica como “primícias dos dons de Deus”. Convinha, portanto, que fossem eles os escolhidos para a Eucaristia, instituída por Jesus para conservar e aumentar a vida espiritual do homem.

O teólogo Juan Cornubiense, citado por São Tomás na Suma Teológica, inclui no vinho também as gotas de água que o celebrante põe no cálice antes da Consagração e afirma de modo mais belo ainda esse simbolismo: “Entre todas as coisas necessárias para o sustento da vida humana, o pão, o vinho e a água são as mais limpas, mais úteis e mais necessárias. Por isso elas foram preferidas a todas as outras e transformadas no que há de mais puro, mais útil e necessário para adquirir a vida eterna, isto é, no Corpo e Sangue de Cristo”.

A utilização do pão e do vinho no Sacramento da Eucaristia é também uma admirável imagem da unidade da Igreja: o pão se compõe de muitos grãos de trigo que formam uma só massa, e o vinho deflui de grande quantidade de uvas.

A Eucaristia é como um memorial da Paixão de Cristo, na qual o Sangue preciosíssimo do Divino Redentor foi separado de seu Corpo santíssimo. Então, para bem representar esse mistério, toma-se separadamente o pão como sacramento do Corpo, e o vinho como sacramento do Sangue.

O que é verdadeiro pão

Parece tão simples dizer: pão e vinho... Mas o que é verdadeiro pão e o que é vinho autêntico? Também desses detalhes se ocupa, com beleza e precisão, a Teologia.

Para ser válida a Consagração, só pode ser usado pão de farinha de trigo misturada com água natural. Se misturar qualquer outro líquido, não servirá para o Sacramento do Corpo de Cristo, pois não será verdadeiro pão, ensina São Tomás.

No Rito Grego, a Consagração é feita com pão fermentado, enquanto no Rito Latino se usa pão ázimo, ou seja, sem fermento. Qual dos dois está certo? Ambos, porque o fato de ser ázimo ou fermentado em nada altera a natureza do pão, mas diz respeito apenas ao modo de prepará-lo. E a Igreja determina que cada sacerdote celebre segundo o rito ao qual pertence.

Pão ázimo ou com fermento: qual é o mais adequado?

Longe de ser uma opção arbitrária ou de mera conveniência prática, a escolha entre o pão ázimo e o fermentado decorre de considerações altamente simbólicas, que bem demonstram quanto na Santa Igreja tudo tende ao mais elevado, à perfeição.

Argumentam os teólogos do Rito Grego: Na mescla de trigo e fermento está bem representado o inefável mistério de Cristo, o qual tem duas naturezas numa só Pessoa: a divina e a humana. Ademais, o uso do fermento, por cuja ação o pão se avoluma e se esponja, significa que a mente de quem consagra ou recebe a Eucaristia deve elevar-se ao Céu na contemplação das coisas espirituais e divinas. Por fim, o fermento dá ao pão um sabor mais agradável, por isso designa convenientemente a maior suavidade do Sacramento da Eucaristia.

Os teólogos latinos, por sua vez, fundamentam sua preferência no exemplo de Cristo: na Última Ceia se comeu pão ázimo, segundo preceituava a lei mosaica; portanto, Jesus consagrou pão sem fermento.

E acrescentam a esse argumento razões altamente simbólicas: O pão ázimo é símbolo da pureza e por isso representa melhor o Corpo de Cristo, concebido sem a mínima corrupção no seio puríssimo da Virgem Maria.

Além disso, ele é mais adequado para representar também a pureza de corpo e de alma dos fiéis que recebem a Eucaristia, segundo ensina São Paulo: “Purificai-vos do velho fermento, para que sejais massa nova, porque sois pães ázimos, porquanto Cristo, nossa Páscoa, foi imolado. Celebremos, pois, a festa, não com o fermento velho nem com o fermento da malícia e da corrupção, mas com os pães não fermentados de pureza e de verdade” (1 Cor 5, 7-8).

O que é vinho autêntico

Para o Sacramento da Eucaristia, só pode ser usado vinho espremido de uvas maduras. Exclui-se, portanto, o “vinho” de qualquer outra fruta. Igualmente excluído está o agraço (suco de uvas verdes), por estar ainda em vias de formação e não possuir a qualidade ou condição de vinho.

Desde sempre a Igreja determina que, antes da Consagração, o celebrante junte ao vinho “uma pequeníssima” quantidade de água. E o Concílio de Trento (1545 a 1562) sustenta categoricamente a doutrina de que ela adquire as propriedades do vinho: “De acordo com a sentença e o parecer de todos os eclesiásticos, aquela água se converte em vinho”.

A Santa Igreja se baseou em vários motivos para estabelecer essa norma. Em primeiro lugar, porque, como os judeus costumavam tomar vinho misturado com água na ceia pascoal, parece certo que Cristo assim o consagrou na Última Ceia.

Mas a esse motivo somam-se outros de elevada expressão simbólica. Assim diz o Concílio de Trento: “A Igreja preceituou aos sacerdotes que misturem água ao vinho no cálice que se oferece, seja porque se crê que assim fez Cristo Senhor, seja porque de seu Lado transpassado pela lança do soldado fluiu sangue e água”.

Quando no cálice a água se mistura com o vinho, o povo se une a Cristo, afirma São Cipriano. E São Tomás de Aquino vai mais longe: “Quando a água se converte em vinho, significa que o povo se incorpora a Cristo”.

Para outros teólogos, essa mistura é também uma imagem da íntima união de Jesus Cristo com sua Igreja. O vinho, elemento nobre e precioso, simboliza o Homem-Deus; e a água é símbolo da humanidade inconstante e frágil.

Entretanto, a água não é necessária para a validade da Consagração. A mistura de água com o vinho — ensina a Teologia — diz respeito à participação dos fiéis no Sacramento da Eucaristia, significando que o povo se une a Cristo. Ora, tal participação não é de necessidade essencial para ser válido esse Sacramento.

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Quantas e quantas vezes nos sentimos desanimados por causa de nossa fraqueza espiritual, ou quase nos deixamos vencer pelas tristezas desta terra de exílio! E não é raro nos revoltarmos, ou tentarmos culpar outros. Mas bastaria nos olharmos em algum espelho para encontrarmos a quem acusar com certeza.

Sim, nós, que costumamos tomar tanto cuidado com nosso alimento físico, descuramos nossa alma, e esquecemos de que ela também — e muito mais — precisa ser tratada com carinho. Para isso temos à disposição o “Pão do Céu” (Jo 6, 32), que nos dará forças para tudo suportar, para crescer, para alcançar a santidade, conforme a promessa de Jesus: “Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em Mim e Eu nele” (Jo 6, 56).

Aproximemo-nos, pois, o mais possível do Sacramento do Altar, prelúdio do eterno convívio que teremos com Jesus no Céu. 

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Imaculado Coração de Maria

Em seu trabalho de evangelização e propagação da devoção mariana, as irmãs da Sociedade de Vida Apostólica Regina Virginum visitaram algumas casas dos fiéis da paróquia Nossa Senhora das Graças levando a imagem peregrina do Imaculado Coração de Maria.

A família reunida faz uma oração e coroa a imagem da Virgem introduzindo-a como Rainha de seus corações e lares.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Atividades Capela São José

Aos domingos, vários Arautos ajudam na Capela São José da Paróquia Nossa Senhora das Graças dando cursos de pré-catequese


catequese para a Primeira Comunhão

 e para grupo de jovens.