terça-feira, 25 de setembro de 2012

Oração a Jesus Sacramentado

Senhor meu Jesus Cristo, que, por amor aos homens, ficais dia e noite neste Sacramento, todo cheio de misericórdia e amor, esperando, chamando e acolhendo todos os que vêm visitar-Vos, eu creio que estais presente no Sacramento do altar. Adoro-Vos do abismo do meu nada e agradeço-Vos todas as graças que me tendes feito, especialmente a de Vos terdes dado a mim neste Sacramento, a de me haverdes concedido por advogada Maria, vossa Mãe Santíssima, e finalmente, a de me haverdes chamado a visitar-Vos nesta igreja.
Saúdo hoje o vosso Coração amantíssimo e quero saudá-lo por três fins: primeiro, em agradecimento pelo grande dom de Vós mesmo; segundo, em reparação das injúrias que tendes recebido, neste Sacramento, de todos os vossos inimigos; terceiro, com a intenção de Vos adorar, por esta visita, em todos os lugares da Terra onde Vós, neste divino Sacramento, estais menos reverenciado e mais abandonado.
Meu Jesus, amo-Vos de todo o meu coração. Arrependendo-me de, no passado, ter ofendido tantas vezes a vossa bondade infinita. Proponho, com a vossa graça, não mais Vos ofender no futuro. E nesta hora, embora miserável como sou, eu me consagro todo a Vós e Vos dou e entrego a minha vontade, os meus afetos, os meus desejos e tudo o que me pertence. Daqui em diante fazei de mim, e de tudo o que é meu, o que Vos aprouver. Somente Vos peço e quero o vosso santo amor, a perseverança final e o perfeito cumprimento da vossa vontade.
Recomendo-Vos as almas do Purgatório, especialmente as mais devotas do Santíssimo Sacramento e da Santíssima Virgem Maria. Recomendo-Vos também todos os pobres pecadores. Enfim, meu amado Salvador, uno todos os meus afetos aos afetos do vosso Coração amantíssimo e, assim unidos, eu os ofereço a vosso Eterno Pai, pedindo-Lhe, em Vosso nome e por vosso amor, que Se digne de os aceitar e atender. Assim seja.
Santo Afonso Maria de Ligório – Oração para antes da Visita ao Santíssimo Sacramento

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Um prodigioso esquecimento

Eram duros os tempos das primeiras missões evangelizadoras da América do Norte. Muitos habitantes daquelas terras não conheciam a Religião de Cristo e os apóstolos eram em número insuficiente para levar a todas as almas a verdadeira Fé. “ A messe é grande, mas os A operários são poucos” (Mt 9, 37), diz a Escritura. Mas, gradualmente, com o auxílio da graça, a Santa Igreja ia-se estabelecendo naquelas vastidões territoriais, como a gota de azeite se espalha silenciosamente pela folha de papel.
No povoado de Santa Maria dos Anjos, onde já todos eram católicos fervorosos, exercia seu fecundo apostolado o padre Jorge. Levantava-se de madrugada, passava uma hora de adoração a Jesus Hóstia e em seguida celebrava a Santa Missa. Hauria, assim, as forças para a labuta de cada dia. Cuidava da catequese das crianças e dos adultos, dirigia a escola e o hospital local, administrava os sacramentos, visitava os enfermos de toda a região.
Certo dia, chamaram-no para atender um doente em estado grave, que morava bem longe do povoado. O Sol já estava baixando, não tardaria a anoitecer. O pároco aprontou-se rapidamente, pegou os Santos Óleos para a Unção dos Enfermos e preparou tudo para levar o Santo Viático.
Valério, o sacristão, ofereceu-se para acompanhá-lo, pois a viagem era longa e não isenta de perigos, mas o sacerdote achou melhor que ele ficasse, para cuidar da igreja. Ele então selou o cavalo e ajudou o padre Jorge a montar, já com o Santíssimo Sacramento numa pequena teca, que levava dependurada ao pescoço, dentro de uma delicada bolsa.
Fustigando a montaria para acelerar a marcha, o pároco percorreu em pouco tempo vários quilômetros. Mas... aconteceu o inesperado: desabou um forte temporal, as escuras nuvens e o aguaceiro toldavam as últimas réstias de luz do Sol que ainda iluminavam aquela estrada cheia de acidentes e obstáculos. E o padre viu-se obrigado a parar numa pequena hospedaria, muito simples, mas limpa e ordenada.
Curiosamente, ali se abrigara, forçado também pela tempestade, um mensageiro do enfermo, enviado para comunicar-lhe que este dava sinais de recuperação e, portanto, já não era tão urgente a ida do sacerdote.
Tranquilizado por essa notícia, o padre Jorge tomou essa coincidência como um sinal da Providência e decidiu pernoitar ali, para não expor o Santíssimo Sacramento aos numerosos riscos de uma viagem sob a borrasca.
Ocupou um quarto no segundo andar, onde preparou da melhor forma possível um pequeno armário para servir de tabernáculo. Nele depositou a Sagrada Hóstia, pôs-se de joelhos e rezou durante algum tempo, depois trancou a porta e desceu para o refeitório, onde já estava servido o jantar.
Ali foi informado, em conversa com outros hóspedes, que o dono do hotel e sua família eram pagãos. Por prudência, evitou tudo quanto pudesse revelar que ele levava consigo Nosso Senhor Sacramentado e, terminada a refeição, recolheu-se sem demora ao seu quarto-capela, preparando-se para partir cedinho no dia seguinte.
Quando raiou o Sol, estava já ele a cavalo, para reiniciar sua viagem.
No meio do caminho, levou instintivamente a mão ao peito para sentir a presença do Santíssimo Sacramento e percebeu que a preciosa teca não estava aí! Encomendando-se à Santíssima Virgem, fez meia-volta, esporeou o animal e partiu de volta a todo galope.
Cruzando o portal da hospedaria, o padre Jorge saltou da cavalgadura e correu à procura do hoteleiro:
— Senhor, desculpe, mas alguém mais ocupou o quarto em que pernoitei?
Surpreso, ele lhe respondeu:
— Não, senhor padre. E que bom o senhor ter voltado, porque, desde a sua partida, fizemos de tudo para abrir a porta daquele quarto e não conseguimos. O que fez o senhor para deixar a chave emperrada na fechadura de maneira que ninguém consegue girá-la?
Impressionado, o sacerdote disse:
— Nada. Apenas deixei lá a chave...
— É, mas além de não conseguirmos abrir a porta, vê-se pelas frestas que o quarto está iluminado por uma luz desconhecida. O senhor deixou alguma vela acesa ali?
O piedoso sacerdote, que já tinha passado da terrível apreensão para a tranquilidade, foi invadido por uma grande alegria: essa luz só podia ser fruto de um milagre. Teriam os Anjos do Céu vindo fazer companhia a Jesus Sacramentando, protegendo-O de qualquer sacrilégio ou mesmo de simples irreverências?
— Vamos lá. Vou tentar abrir a porta.
E subiu rapidamente as escadas. O hoteleiro seguiu atrás, acompanhado da esposa, dos filhos, dos criados e até de vários hóspedes, todos desejosos de desvendar aquele mistério.
Lá chegando, padre Jorge girou a chave e abriu a porta com toda facilidade. Imaginem sua emoção ao ver que daquele armário — o tabernáculo por ele improvisado — saía uma luz celestial, enquanto músicas angelicais se faziam ouvir dentro do quarto.
Pondo-se de joelhos, adorou, comovido ao extremo, o Rei dos reis que quis manifestar-Se daquela maneira para atrair mais almas a Seu Sacratíssimo Coração Eucarístico.
Em seguida, explicou a todos o que se passara. Entre atônitos e maravilhados, foram-se ajoelhando um a um... Agora nenhum deles duvidava da Presença Real de Jesus na Eucaristia! O hoteleiro pediu para receber o Batismo, junto com toda a sua família.
O padre Jorge não podia abandonar essas almas que o próprio Senhor conquistara por meio de tão prodigioso fato! Passou, pois, alguns dias no hotel, ensinando-lhes as belezas e as verdades da Fé Católica. Durante esse tempo, a Sagrada Eucaristia permaneceu no seu precário tabernáculo, recebendo a adoração do hoteleiro, de sua família e de vários habitantes da região. Muitos destes também se converteram, de modo que o padre Jorge teve a alegria de ministrar o Batismo a uma pequena multidão de novos filhos da Santa Igreja.
Por fim, foi à casa do enfermo que, uma semana antes, havia solicitado sua assistência, e o encontrou já curado. O Senhor quis, Ele mesmo, operar prodígios em favor de sua messe!

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Um incêndio providencial

Edgard levantou-se muito contente naquela manhã. Seu novo barco de pesca, recém-saído do estaleiro, prometia-lhe um proveitoso dia de trabalho. E o tempo estava perfeito para essa estreia. O céu amanhecera azul, com algumas nuvens, é verdade, mas estas acabariam por dar-lhe um pouco de proteção contra o Sol. As redes estavam limpas e bem dobradas. O delicioso aroma do café da manhã, cuidadosamente preparado por Adelaide, sua esposa, convidava-o a se apressar.
Saiu de casa logo depois da refeição matinal. Enquanto se afastava rumo à praia, via Luísa e Marcelo, que davam adeus ao pai, ufano de seu barco novo. Esperava regressar com muitos peixes e fazer bom negócio na feira semanal do dia seguinte, à qual afluía gente de toda a vizinhança.
Fazendo o sinal-da-cruz e beijando sua medalha da Virgem do Carmo, da qual nunca se separava, Edgard levantou âncora e zarpou. Assobiava contente, enquanto manejava com destreza o timão de seu pesqueiro.
Não demorou a entrar numa zona bem conhecida pela quantidade de peixes. Mas... coisa estranha! Não encontrou ali nenhum de seus amigos pescadores. Por mais que procurasse, não via um barco sequer. Desconfiando de alguma surpresa desagradável, perscrutou o céu em todas as direções. O tempo continuava firme, com algumas nuvens espessas apenas. Não lhe pareceu haver sinal de chuva.
Lançou as redes. Curioso... Não havia peixes...
— Que estará acontecendo? — perguntou ele, falando sozinho.
O mar logo lhe deu uma resposta: as águas começaram a se mover com mais força, as nuvens espessas se avolumaram rapidamente, escurecendo o céu. Nunca ele vira uma tempestade armar-se tão de repente!
— É por isso que não havia peixes!... — disse para si mesmo.
Marujo destemido e experiente, Edgard não se alarmou. Acionou o motor e tentou dirigir o barco de volta à praia. Porém este não obedecia mais aos movimentos do timão, as ondas cada vez mais fortes o arrastavam em sentido contrário. Nesse momento, viu passar pouco além seu amigo Luís, pescador também, que avançava penosamente rumo à terra firme e lhe gritava:
— Edgard! Meia volta! A tempestade vai ser tremenda...
Quase não conseguia ouvir... O vento estava muito forte. Usou toda a sua perícia para tomar a direção certa, mas inutilmente: o barco vogava como se não tivesse leme e a correnteza o afastava mais e mais da terra firme. Uma chuva torrencial veio agravar ainda mais a situação.
Na iminência de uma tragédia inevitável, Edgard se encomendou à Virgem Santíssima. Nada mais podia fazer, senão rezar. Batido por uma grande onda, o barco girou violentamente, Edgard sentiu um forte golpe e caiu sem sentidos.
Quando voltou a si, encontrava-se numa praia. Estava meio tonto, latejava-lhe a cabeça, doía-lhe todo o corpo. Com muito custo pôs-se de pé, olhou ao redor e pareceu-lhe estar em alguma ilha desconhecida. De seu barco, viu apenas alguns destroços espalhados pela praia.
A quem pedir ajuda? Só lhe restava recorrer ao Céu. Tirou do pescoço sua medalha da Virgem do Carmo, ajoelhou-se e rezou fervorosamente.
Depois dessa oração, sentiu revigorarem-se suas forças. Caía a tarde. Recolheu o que restava do barco e fez uma cabaninha, cobrindo-a com folhas de palmeira, para proteger-se do frio durante a noite.
Na manhã seguinte, foi despertado pelo ruído de um bando de alegres gaivotas que pescavam. Sentia muita fome e não havia nada para comer. Resolveu explorar “sua” ilha à procura de frutas.
Andou, andou, andou... Não achou nada que levar à boca, mas reconheceu o local onde se encontrava: era uma ilha rochosa e desértica, que não estava na rota de nenhum barco pesqueiro, muito menos de algum navio.
O Sol estava mais alto no céu e a fome aumentava! Decidiu pescar. Encontrou entre os escombros do barco um pedaço de linha e outro de arame com os quais improvisou um anzol, e pronto... o restante era questão de habilidade. Com isso e alguns moluscos servindo de isca, não lhe foi difícil arrastar quatro peixes para a terra firme.
Após várias tentativas fracassadas, conseguiu fazer fogo junto à cabana, em um dos lados protegido do vento. Assou dois peixes grandes, temperados com o sal do mar. Pareceram-lhe deliciosos, melhores, até, que os que sua esposa, Adelaide, preparava tão bem.
Depois de saciada a fome, resolveu explorar o outro lado da ilha. Quem sabe se avistaria algum barco...
Caminhou muito, subiu e desceu rochedos, mas a certa altura sentiu um forte cheiro de queimado. Cheio de desconfiança pelo que estaria acontecendo, correu aflito de volta à praia. Lá chegando, viu a cabana toda queimada e uma coluna de fumaça que subia de um monte de folhas secas atingidas pelas chamas.
Edgard, que até então se mantivera forte, não aguentou mais. Sentou-se na areia, com a cabeça entre as mãos, e não conseguiu conter o desânimo e as lágrimas. Havia pedido ajuda aos Céus e Deus parecia tê-lo abandonado!
Por fim, cansado de toda a tensão daquele dia, adormeceu ali mesmo na praia, sob o Sol inclemente da tarde. Quanto tempo dormiu, ninguém sabe. Foi acordado por alguém que lhe tocava o braço e o chamava:
— Edgard!
Era Luís, seu amigo pescador. Levantando-se de um salto, Edgard o abraçou e disse:
— Luís! Como chegou até aqui? Esta ilha não é rota de barcos...
— Depois que passou a tempestade, lancei-me de novo ao mar, decidido a encontrá-lo. Procurei sem resultado por todos os nossos rincões conhecidos, e já estava voltando, pois a tarde está chegando ao fim e no escuro seria impossível prosseguir a busca. Inesperadamente, vi uma coluninha de fumaça subindo por detrás desses rochedos. Deixei o barco ancorado e vim a nado, pois não é possível navegar por entre essas pedras. Vamos, homem, dentro em pouco será noite, e sua família o espera!
No percurso de volta a casa, Edgard meditava com profunda gratidão sobre a maneira pela qual a Virgem Santíssima levara até Deus suas preces: aquele incêndio, que lhe parecera a desgraça completa, havia salvado sua vida!
* * *
Às vezes, Deus age assim conosco, parecendo ter Se esquecido de nós. Mas Ele permite a aparente derrota, ou mesmo a desgraça, para daí tirar um bem maior. Portanto, ainda que não entendamos, confiemos, pois Ele nunca nos abandona! Há males que vêm para bem!

domingo, 26 de agosto de 2012

Solene Consagração à Nossa Senhora

No mês de agosto, 20 fiéis da paróquia Nossa Senhora das Graças (da Capela São José Operário e São Francisco de Assis ) se consagraram a Nosso Senhor Jesus Cristo pelas santíssimas mãos de Maria segundo o método exposto no livro “O Tratado da verdadeira devoção a Maria” escrito por São Luis Maria Grignon de Montfort.

Para assistir alguns momentos da cerimônia clique nas imagens ou no link abaixo.



http://www.arautos.org/tv/interna.html?title=Festa+na+capela+S%C3%A3o+Jos%C3%A9+Oper%C3%A1rio+e+S%C3%A3o+Francisco%3A+20+novos+escravos+de+Maria%21


sábado, 4 de agosto de 2012

A Unção dos Enfermos, remédio para a alma e para o corpo

“Alguém dentre vós está doente? Mande chamar os presbíteros da Igreja, para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da Fé salvará o doente e o Senhor o aliviará; e, se tiver cometido pecados, estes lhe serão perdoados” (Tg 5, 14-15).


A qual família, a qual homem ou mulher não se dirige de modo especial esta exortação do Apóstolo São Tiago? Hoje como sempre, a enfermidade a ninguém poupa.

Todos — pais, filhos, esposos, irmãos, amigos — desdobram-se para dar o melhor atendimento possível aos seus entes queridos, quando atingidos pela doença, sobretudo estando estes em risco de vida. Sacrificam tempo de lazer e de repouso, enfrentam duras dificuldades financeiras, tudo fazem para salvá-los ou, ao menos, proporcionar-lhes algum alívio. Salvar... aliviar... Estes são efeitos próprios da Unção dos Enfermos!

Ela é um Sacramento de vida e salvação, instituído por Nosso Senhor Jesus Cristo (ver quadro na página seguinte), o qual deu à sua Igreja a missão de ministrá-lo, ordenando aos Apóstolos: “Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expulsai os demônios (Mt 10, 8).

Mãe terna e cuidadosa, a Igreja empenha-se em cumprir este divino mandato. Pelas mãos de seus sacerdotes, ela unge os enfermos na fronte e nas mãos, com óleo devidamente consagrado, dizendo uma só vez: “Por esta santa unção e por sua piíssima misericórdia, o Senhor venha em teu auxílio com a graça do Espírito Santo, para que, liberto de teus pecados, Ele te salve e, em sua bondade, alivie teus sofrimentos” (CIC 1513).

Mas... e os fiéis, que esforços fazem para aproveitar os enormes benefícios oferecidos por este sublime Sacramento? Infelizmente, muitos não conhecem o valor deste tesouro posto por Jesus à nossa disposição, e por isto recorrem a ele menos do poderiam e deveriam.

Objeções nascidas de infundados temores

Como o principal efeito da Unção dos Enfermos é a saúde da alma, isto é, a eterna salvação, o demônio procura espalhar temores infundados a seu respeito, para dela afastar os fiéis. Eloquente exemplo disto é o fato ocorrido na cidade mineira de Montes Claros. Uma senhora telefonou aflita a um sacerdote:

— Padre, minha mãe está na UTI. Quando falei em Unção dos Enfermos, acendeu-se uma grande discussão entre os meus parentes. Alguns dizem que a Unção faz apressar a morte. O que devo fazer?

— Quanta ignorância! Como poderia Deus, que destinou o homem para ter a vida em abundância, instituir um Sacramento que provoca a morte? Olhe, fique aí animando a conversa enquanto eu vou ministrar a Unção dos Enfermos à sua mãe; depois lhe telefono para encerrar a questão — respondeu ele.

Após receber piedosamente esse Sacramento, a doente começou a melhorar. E até hoje, passados já mais de dez anos, ela agradece diariamente a Deus a sua inesperada cura.

Salutares efeitos

São muitos e variados os efeitos deste Sacramento. O principal deles é uma graça de reconforto, de paz e de coragem para quem o recebe vencer as dificuldades próprias ao estado de enfermidade ou de fragilidade da velhice.

Ele apaga os pecados — se o doente não pode obter o perdão através do Sacramento da Penitência — e faz desaparecer suas sequelas. Ou seja, quando recebido com boas disposições, restaura a graça primeira, infundida pelo Batismo, e extingue os castigos temporais do pecado, livrando a alma do Purgatório.

Pela graça deste Sacramento, o enfermo recebe a força e o dom de unirs-e mais intimamente à Paixão de Cristo: de certa forma, ele é “consagrado” para produzir fruto pela configuração à Paixão redentora do Salvador.

A Unção atenua os sofrimentos e aflições espirituais, livra da angústia os corações dos doentes, proporcionalhes santa e piedosa alegria. Renova a fé em Deus, dando à alma novo alento pela confiança na bondade divina. Fortalece a alma contra as tentações de desânimo e de angústia que o demônio costuma sugerir, ante a perspectiva da morte.

Não só livra a alma da indolência e da fraqueza contraídas por efeito da doença ou por seus pecados, mas também revigora o corpo alquebrado pela fadiga. É um conforto para a pessoa suportar mais facilmente os incômodos da enfermidade.

Aos doentes em situação extrema, este Sacramento é valiosíssimo auxílio na hora terrível da passagem desta vida terrena para a eternidade.

Por fim, muitas vezes, a Unção obtém a saúde do corpo, quando esta for útil à salvação da alma.
Quem e quando pode recebê-la?

O tempo oportuno para receber este Sacramento é o momento em que a pessoa começa a correr perigo de morte por motivo de doença, debilitação física ou velhice. Assim, não se deve adiar para a última hora o pedido. A este propósito, o Missal Romano insiste: “Evite-se esperar a proximidade da morte para falar neste Sacramento” (GMR, 912).

Cada vez que um cristão ficar gravemente enfermo, pode receber o Sacramento da Unção. E ele pode ser reiterado no decurso da mesma doença, toda vez que esta se agravar. Podem recebê-lo inclusive os doentes em estado de inconsciência, bem como as crianças que já tenham atingido o uso da razão.

Não é necessário o fiel pedir esse Sacramento, basta que ele consinta em recebê-lo. Obviamente, se o pedido da Unção é motivado pela Fé do enfermo, sua eficácia será muito maior.

Só o presbítero pode ministrá-la

Uma senhora, pessoa instruída, estava com a mãe hospitalizada, em estado grave. Ao ser perguntada se havia chamado o padre para lhe dar a Unção dos Enfermos, respondeu: “Sim. Um ministro já lhe deu a Unção!”

Resultado: a mãe faleceu sem o Sacramento porque o ministro leigo não tem poderes para administrá-lo validamente. Nem mesmo o diácono. Segundo nos ensina o Catecismo da Igreja Católica (nº 1516), esse poder é exclusivo de quem recebeu a ordenação sacerdotal, isto é, o bispo e o padre.

Ao ministro leigo cabe uma importante missão: incentivar o enfermo a pedir a Unção e ajudá-lo a preparar-se para recebê-la com boas disposições.

Uma grande responsabilidade

E os familiares têm a grande responsabilidade de providenciar para que seus parentes enfermos não fiquem privados dos benefícios deste Sacramento justamente quando deles mais necessitam!

Como pouco se fala da Unção dos Enfermos, os familiares e amigos, ao tratarem com os doentes a respeito deste assunto, devem começar por falar em Sacramento que anima a pessoa em seu estado de enfermidade ou de enfraquecimento, comunicando-lhe forças para suportar os incômodos e sofrimentos.

Convém falar da possibilidade de ser curado, mas sem apresentar a Unção como mero instrumento da cura corporal. Isto, embora aconteça com frequência, pode desvirtuar o significado principal do Sacramento, que é conferir a graça de suportar a enfermidade com espírito de fé, esperança e caridade.

COMO JESUS INSTITUIU ESTE SACRAMENTO?

Percorrendo as aldeias circunvizinhas de Nazaré, Jesus chamou os Apóstolos, “deu-lhes poder sobre os espíritos imundos”, e os enviou, dois a dois, a pregarem a penitência. “Eles expeliam numerosos demônios e ungiam com óleo muitos enfermos e os curavam” (Mc 6, 7 e 12-13).

Após a ressurreição, o Senhor renovou esse envio: “Em meu nome... eles imporão as mãos sobre os enfermos, e estes serão curados” (Mc 16, 17-18; CIC, 1507).

O óleo tem por efeito natural restituir a saúde, despertar alegria e alimentar a chama; presta-se também para revigorar o corpo alquebrado pela fadiga. Estas qualidades do azeite simbolizam bem os salutares efeitos produzidos pela Unção dos Enfermos.

O Divino Salvador às vezes pede ao doente uma prova de Fé, como no caso daquele grupo de cegos que Lhe imploravam a cura: “Credes que eu posso fazer isso? Sim, Senhor, responderam eles. Então Ele tocou-lhes nos olhos, dizendo: Seja-vos feito segundo vossa fé. E no mesmo instante, os seus olhos se abriram”.

terça-feira, 31 de julho de 2012

A Virgem Maria elevou-se aos céus

Quanto mais o homem procura aprofundar-se no conhecimento de Deus, mais compreende que não conseguirá abarcá-Lo, tais as grandezas e os mistérios com os quais se depara.
O Criador, que estabelece as regras, se apraz em criar magníficas exceções. Três criaturas não podiam ser criadas em grau mais excelente, ensina-nos a Teologia. A primeira delas é Jesus Cristo, Homem-Deus: impossível ser mais perfeito, nada haveria a acrescentar. A segunda, Maria: “quase divina”, é a expressão utilizada por vários teólogos para se referir à Mãe do Redentor. E, por fim, a visão beatífica, o Céu: o prêmio reservado aos justos não poderia ser melhor nem maior. É o próprio Deus que Se dá aos Bem-aventurados!
Por que morreu a Mãe da Vida?
Em Maria Santíssima está a plenitude de graças e de perfeições possíveis a uma mera criatura. Segundo a bela expressão de Santo Antonino, “Deus reuniu todas as águas e chamou-as mar, reuniu todas as suas graças e chamou-as Maria”. Desde toda a eternidade, o decreto divino estabelecia o singularíssimo privilégio de ser a Virgem Santíssima concebida livre da mancha original. Privilégio este próprio Àquela que geraria em seu seio o próprio Deus.
Transcorrida sua vida nesta terra, o que aconteceria com nossa Mãe? Ela, que havia dado à luz, alimentado e protegido o Menino-Deus, e recebido em seus braços virginais o Corpo dilacerado de seu Filho e Redentor, estava prestes a exalar o último suspiro. Como poderia passar pelo transe da morte aquela Virgem Imaculada, nunca tocada pela mais leve sombra de qualquer falta?
Sem embargo, como o suave declinar do sol num magnífico entardecer, a Mãe da Vida rendia sua alma. Por que morria Maria? Tendo Ela participado de todas as dores da Paixão de Jesus, não quis deixar de passar pela morte, para em tudo imitar seu Deus e Senhor.
De que morreu Maria?
Perfeitíssima era a natureza da Virgem Maria. Com efeito, afirma Tertuliano que “se Deus empregou tanto cuidado ao formar o corpo de Adão, pela razão de seu pensamento voar até Cristo, que deveria nascer dele, quanto maior cuidado não terá tido ao formar o corpo de Maria, da qual devia nascer, não de modo remoto e mediato, mas de modo próximo e imediato, o Verbo Encarnado?” (1)
Ademais, escreveu Santo Antonino, “a nobreza do corpo aumenta e se intensifica em proporção com a maior nobreza da alma, com a qual está unido e pela qual é informado. E é racional, pois a matéria e a forma são proporcionadas uma à outra. Sendo, portanto, que a alma da Virgem foi a mais nobre, depois da do Redentor, é lógico concluir-se que também seu corpo foi o mais nobre, depois do de seu Filho” (2).
À alma santíssima de Maria, concebida sem pecado original e cheia de graça desde o primeiro instante de sua existência, correspondia, portanto, um organismo humano perfeitíssimo, sem o menor desequilíbrio.
Em consequência de sua virginal natureza, Nossa Senhora foi imune a qualquer doença, e jamais esteve sujeita à degenerescência do corpo causada pela idade .
De que morreu, pois, a Mãe de Deus?
O termo da existência terrena de Maria deveu-se à “força do divino amor e ao veemente desejo de contemplação das coisas celestiais, que consumiam seu coração” (3).
A Santíssima Virgem morreu de amor!
São Francisco de Sales assim descreve esse sublime acontecimento:
“Quão ativo e poderoso (...) é o amor divino! Nada de estranho se vos digo que Nossa Senhora dele morreu, pois, levando sempre em seu coração as chagas do Filho, padecia-as sem consumir-se, mas finalmente morreu pelo ímpeto da dor. Sofria sem morrer, porém, por fim, morreu sem sofrer.
“Oh, paixão de amor! Oh, amor de paixão! Se seu Filho estava no Céu, seu coração já não estava n’Ela. Estava naquele corpo que amava tanto, ossos de seus ossos, carne de sua carne, e ao Céu voava aquela águia santa. Seu coração, sua alma, sua vida, tudo estava no Céu: por que haviam de ficar aqui na terra?
“Finalmente, após tantos vôos espirituais, tantos arrebatamentos e tantos êxtases, aquele castelo santo de pureza e humildade rendeu-se ao último assalto do amor, depois de haver resistido a tantos. O amor A venceu, e consigo levou sua benditíssima alma” (4).
Essa morte de Maria, suave e bendita como um lindo entardecer, a Igreja a designa pelo sugestivo nome de “dormição”, para significar que seu corpo não sofreu a corrupção.
Cheia de graça e cheia de glória
Quanto durou a permanência do puríssimo corpo de Maria no sepulcro?
Não o sabemos. Mas, segundo a tradição, muito pouco tempo esteve a alma separada de seu corpo. E, na Constituição Apostólica Munificentissimus Deus, afirma o Papa Pio XII: “Por um privilégio inteiramente singular, Ela venceu o pecado com sua Conceição Imaculada; e por esse motivo não foi sujeita à lei de permanecer na corrupção do sepulcro, nem teve de esperar a redenção do corpo até o fim dos tempos”.
Assim, resplandecente de glória, a alma santíssima de Nossa Senhora reassumiu seu virginal corpo, tornando-o completamente espiritualizado, luminoso, sutil, ágil e impassível.
E Maria — que quer dizer “Senhora de Luz” — elevou-se em corpo e alma ao Céu, enquanto as incontáveis legiões das milícias angélicas exclamavam maravilhadas ao contemplar sua Soberana cruzando os umbrais eternos: “Quem é esta que surge triunfante como a aurora esplendorosa, bela como a lua, refulgente e invencível como o sol que sobe no firmamento e terrível como um exército em ordem de batalha?” (5).
E ouviu-se uma grande voz que dizia: “Eis aqui o tabernáculo de Deus” (Ap 21, 3).
A Filha bem-amada do Pai, a Mãe virginal do Verbo, a Esposa puríssima do Espírito Santo foi coroada, então, pelas Três Divinas Pessoas para reinar no universo, pelos séculos dos séculos, “à direita do Rei” (Sl 44, 10).
O dogma
A verdade desta glorificação única e completa da Santíssima Virgem foi definida solenemente como dogma de Fé pelo Papa Pio XII, no dia 1º de novembro de 1950, com estas belas palavras:
“Depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a luz do Espírito de verdade, para a glória de Deus onipotente que à Virgem Maria concedeu sua especial benevolência, para a honra de seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória de sua augusta Mãe e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos Bem-aventurados Apóstolos São Pedro e São Paulo e com a Nossa, pronunciamos, declaramos e definimos que: A Imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”.
1) De resurrectione carnis, c. VII.
2) Cfr. Gabriel Roschini, Instruções Ma
3) D. Alastruey, Tratado de la Virgen Santísima, p. 414. tas, B.A.C., p. 480. rianas, Ed. Paulinas, São Paulo, p. 202.
4) São Francisco de Sales, Obras Selec
5) Cfr. Cant 6,10

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Atividades na Capela Nossa Senhora de Fátima

Em suas atividades apostólicas, as Irmãs da Sociedade de Vida Apostólica Regina Virginum levaram a Imagem de Nossa Senhora de Fátima às famílias e rezaram o terço.


Mais um Batismo realizado na Paróquia Nossa Senhora das Graças na Capela Nossa Senhora de Fátima no Parque Petrópolis - Serra da Cantareira.