segunda-feira, 29 de abril de 2013

O Altar, símbolo de Cristo



No início do Cristianismo, o altar era de madeira, tendo a forma das mesas usadas nas refeições, pois a Eucaristia era celebrada nas casas particulares. O altar de pedra generalizou-se, sobretudo no Ocidente, devido ao costume de celebrar as festas dos mártires sobre a pedra do seu sepulcro. Com a paz de Constantino e, mais especialmente, sob o pontificado do Papa Dâmaso (366-384) foram construídas, tanto em Roma como noutras cidades, basílicas e igrejas em honra dos mártires mais ilustres, sendo os altares erigidos sobre seus túmulos. O Liber Pontificalis atribui ao Papa Félix (269-274) um decreto no qual se ordena celebrar a Missa sobre os túmulos dos mártires (Constituit supra memorias martyrum missas celebrare, Lib. Pont., ed. Duchesne, I, 158).
Com o correr dos séculos, a simbologia do altar ficou associada também ao fato de ser de pedra, como se pode ver pela interpretação dada pelo Doutor Angélico, na Suma Teológica: Isso convém ao significado da Eucaristia, seja porque o altar simboliza a Cristo, como diz Paulo: “este rochedo era o Cristo”(Cor 14,4), seja também porque o corpo de Cristo foi sepultado num sepulcro de pedra. Além disso, convém ao uso do Sacramento, uma vez que a pedra é sólida e pode ser encontrada em qualquer parte (S.T. III, q. 83. a. 3, ad 5).
Esse antiquíssimo costume de celebrar a Missa sobre os túmulos dos mártires está na origem da recomendação da Igreja de colocar sob a pedra do altar relíquias de mártires ou de santos.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

As Cinco Chagas do Senhor

O primeiro ato de adoração às Santas Chagas foi realizado por Maria Santíssima, quando desceram Jesus da Cruz. De São Tomé até nossos dias, muitos foram os devotos e propagadores desta belíssima devoção.
Jesus é descido da Cruz. Cuidadosamente, Nicodemos, José de Arimatéia e São João O conduzem até Maria Santíssima e O depositam em seu virginalíssimo regaço. Sentada, Ela O acolhe transida de dor e O adora. Enquanto as Santas Mulheres preparam os bálsamos com que em breve irão ungi-Lo, para ser depositado no sepulcro, Ela oscula, uma a uma, suas Chagas: a do peito rasgado, as dos divinos pés e mãos. Realiza-se ali o primeiro ato de devoção e adoração às Chagas do Redentor, que iria perpetuar-se por todas as gerações. A Bem-Aventurada por excelência rende o mais perfeito culto de latria às fontes sagradas de onde jorrou o Sangue que redimiu total e superabundantemente todo o gênero humano.
Por causa daquelas Santíssimas Chagas, Ela fora preservada do pecado original e aos homens de boa vontade abriram-se as portas do Céu. Cinco fontes de graças infinitas, plenas de formosura, saciando a santidade das almas contemplativas, missionárias e apostólicas, selando a coroa de glória dos mártires e as vitórias de todos os tempos. Eis o manancial que nos purifica no Batismo, nos revivifica na Eucaristia e dá fecundidade a toda a Santa Igreja, nos seus sacramentos. Eis a santa argamassa que, ligada aos sacrifícios dos homens, erguerá os mais belos monumentos e poemas da Civilização Cristã.
                                                                 * * *
 “Põe aqui o teu dedo e vê as minhas mãos. Aproxima a tua mão e mete-a no meu lado”. Poucos dias após a ressurreição, é o próprio Redentor que convida o incrédulo Tomé a ter devoção às suas Santas Chagas. Já deslumbrado, ele respondeu-Lhe: “Meu Senhor e meu Deus!” As tíbias almas que dificilmente se deixam convencer, a progênie dos cépticos, a própria incredulidade, quase se diria, sucumbiram no instante mesmo em que aquele feliz e invejado Apóstolo introduziu seu dedo no lado de Jesus.
São Francisco de Assis, Santa Gemma Galgani, São Pio de Pietrelcina — enfim, uma legião de santos e almas virtuosas — foram galardoados com os estigmas da Paixão de Cristo. É um modo maravilhoso de Ele condecorar alguns daqueles a quem mais ama, na face da terra. É seu invisível e puro amor tornado visível em seus prediletos, para perpetuar na memória dos homens a bem-aventurança daqueles que acreditam sem terem visto e tocado as Chagas do Senhor, como Tomé.
A devoção às Santas Chagas não é privilégio apenas de algumas almas, mas o é também de nações. Em Portugal, por exemplo, ela é muito antiga e marcou profundamente a piedade dos fiéis, quase desde os alvores da nacionalidade.
Camões, em seu imortal poema, “Os Lusíadas”, na dedicatória ao rei Dom Sebastião, registra em versos essa antiga e piedosa tradição, gravada também na bandeira nacional e no escudo heráldico da Casa Real: 
Vede-o no vosso escudo, que presente
Vos amostra a vitória já passada,
Na qual vos deu por armas e deixou
As que Ele para si na Cruz tomou.

A devoção às Chagas de Jesus Cristo, sinais amorosos de seu martírio e, posteriormente, de sua glorificação, aperfeiçoam em nós a gratidão, que leva a pagar amor com amor, até o holocausto total, por Deus e pelos irmãos. 


Hino às Santas Chagas do Senhor

Cinco fontes de graças infinitas,
Ó Chagas, cheias de alta formosura,
Aceitai a tensão humilde e pura
Das palavras que digo e tenho ditas.

E quantas na minha alma têm escritas
Mil culpas feias, com mão feia e dura,
Curai com vossa graça e com brandura,

Ó Chagas d’meu Senhor, Chagas benditas.
No sacro Sangue que de Vós correu
Se cure; e lave e gaste e purifique
As nódoas que com dor nelas estou vendo.

Por vós, que belas sois, formosa fique,
Por vós resplandecente entre no Céu,
Onde vos veja estar resplandecendo.

(Liturgia das Horas, festa das Cinco Chagas: Hino do Ofício das Leituras)





quarta-feira, 20 de março de 2013

Catequese Capela Nossa Senhora de Fátima


A começar pela assistência religiosa dispensada à população local por meio de Missas dominicais e distribuição dos Sacramentos; cresce o serviço de catequese, preparação e celebração do Sacramento do Matrimônio, formação litúrgica para coroinhas e iniciativas de auxílio aos núcleos mais carentes da região.

As irmãs dos Arautos do Evangelho desenvolvem uma catequese na Capela Nossa Senhora de Fátima da Paróquia Nossa Senhora das Graças na qual os jovens e pais participam de uma encenação teatral.








domingo, 24 de fevereiro de 2013

Paróquia Nossa Senhora das Graças

“Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes”.( Mt 25,40)

Em uma tarde como as outras e os moradores de Caieiras desempenhavam suas funções rotineiras quando, de repente, ouviram um ruído de carro e alguém os chamar.

Eram as irmãs da Sociedade de Vida Apostólica Regina Virginum ( ramo feminino dos Arautos do Evangelho) que levando uma consoladora mensagem de confiança em Nossa Senhora, distribuíam medalhas, livros e presentes aos fiéis da Paróquia Nossa Senhora das Graças











terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Retiro das Martinhas




Nos dias 11 e 12 de fevereiro de 2013, reuniram-se na Capela de Santa Inês, cerca de 50 Martinhas de diversas capelas da Paróquia Nossa Senhora das Graças.

Nesses dias, as jovens e crianças puderam aproveitar o feriado do Carnaval para juntas, num convívio repleto de amizade e animação, considerarem alguns pontos da Doutrina Católica, especialmente ao que diz respeito à finalidade da vida e a bem-aventurança eterna.

O Padre David Ritchie, EP, celebrou a Santa Missa, e no final entregou para cada participante um livro de orações.

Assista ao video com o resumo das atividades clicando na imagem ou link abaixo.




quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

O arco-íris: Sinal da Aliança divina

Após o Dilúvio, Deus quis selar com os homens uma aliança da qual o arco-íris é o símbolo. Passados muitos séculos, uma nova Aliança haveria de ser feita, mais bela e sublime que a primeira.
Certos fenômenos atmosféricos evocam de modo característico o Criador. Alguns, como o fragor do trovão ou a força da tempestade, nos lembram o Seu ilimitado poder; outros, como o nascer do Sol ou a suave bruma da manhã, nos remetem aos aspectos bondosos e protetores do Altíssimo.
Há, entretanto, uma manifestação da natureza toda especial, que o próprio Criador escolheu como símbolo de Sua aliança com os homens: o arco-íris.
Sobre este misterioso fenômeno, que flutua intangível na atmosfera como vitorioso combatente após a tempestade, diz o Gênesis: “E Deus disse: ‘Eis o sinal da aliança que Eu faço convosco e com todos os seres vivos que vos cercam, por todas as gerações futuras: Ponho o meu arco nas nuvens, para que ele seja o sinal da aliança entre Mim e a Terra. Quando Eu tiver coberto o céu de nuvens por cima da Terra, o meu arco aparecerá nas nuvens, e Me lembrarei da aliança que fiz convosco e com todo ser vivo de toda espécie’” (Gn 9, 12-15).
Com o advento da Nova Lei, este antigo símbolo do perdão de Deus passou a ser tomado por muitos autores sacros como uma prefigura de Nossa Senhora. Assim, São Bernardino de Sena comenta, a respeito da Virgem: “Ela é o arco-íris dado pelo Senhor a Noé em sinal de aliança, e como penhor de que o gênero humano não será mais destruído. E por quê? Porque é Ela quem trouxe à luz Aquele que é nossa paz, Aquele que de duas naturezas fez uma só Pessoa”.
Outro renomado estudioso, o padre Thiébaud, acrescenta: “Quando, depois de uma tempestade, percebemos o arco-íris baixando das nuvens sobre a Terra, não podemos impedir-nos de admirar esse belo manto, tecido com as sete cores primitivas, verdadeiro símbolo da misericórdia. Mas, o esplendor desse fenômeno logo se eclipsa em presença de Maria, na qual os sete dons do Espírito Santo refulgiram com tanta magnificência”.
E a própria Mãe de Deus revelou a Santa Brígida, em uma aparição: “Este arco-íris, sou Eu mesma que, por minhas preces, abaixo-Me e Me debruço sobre os bons e os maus habitantes da Terra. Inclino-Me sobre os bons para ajudá-los a permanecerem fiéis e devotos na observância dos preceitos da Igreja; e sobre os maus, para impedi-los de irem adiante na sua malícia e se tornarem piores”.
* * *
Assim, quando, após uma tarde chuvosa, o arco-íris vier encantar-nos a vista e o coração com suas cores ora suaves, ora vibrantes, lembremo-nos desta mensagem que o próprio Deus nos envia através de tão belo emissário: há uma sublime ponte entre o Céu e a Terra, uma promessa de maternal proteção: Maria Santíssima, Mãe de Deus e Mãe nossa.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O homem que sabia o dia de sua morte

O jovem Conde Rodolfo, homem saudável e forte, de formosa aparência, destro no manejo das armas, exímio cavaleiro e hábil caçador, imaginava que jamais morreria ou que, pelo menos, isto só lhe aconteceria depois de muitos e muitos anos.
Numa fria tarde de outubro de 1321, embrenhou-se ele na densa floresta, perseguindo a presa que tentava escapar-lhe. Quando já começava a escurecer, avistou entre as árvores algo que lhe parecia uma parede. Cansado de cavalgar, desmontou, aproximou-se e viu que era uma antiga capela abandonada. Entrou. Tudo estava em ruínas: vitrais quebrados, bancos virados, poeira acumulada, morcegos, etc.
De qualquer forma, pensou, há paredes e teto, é melhor do que nada. Juntando alguns bancos, improvisou um leito e, exausto como estava, logo adormeceu.
Noite alta, acordou ouvindo um som de sinos. Extremamente surpreso, esfregava os olhos e não conseguia acreditar no que via: a pequena capela estava iluminada e repleta de fiéis. No altar, um sacerdote celebrava a Missa. Perto do presbitério, estava um caixão. Era, pois, uma Missa de corpo presente, concluiu ele.
— Desculpe-me, senhora, mas na intenção de quem está sendo celebrada esta Missa? — perguntou. —
Então Vossa Senhoria não sabe quem morreu? É um nobre cavaleiro da região de Zurique, que se perdeu nesta floresta durante uma caçada e foi encontrado morto hoje... dia 26 de outubro de 1371. O Conde Rodolfo estremeceu todo. Com um estranho pressentimento, quis saber quem era esse cavaleiro. Aproximou-se do caixão, levantou o véu que cobria o rosto do defunto e... sentiu um terrível calafrio. O morto era ele! Já estava envelhecido, é certo, mas não restava dúvida alguma de que era mesmo ele que estava naquele caixão.
Dando um grito de susto... acordou. Percebeu então que aquele terrível sonho era um aviso do Céu: morreria exatamente dali a 50 anos.
Saiu da igreja e retornou ao esplêndido castelo de sua família, onde se realizava uma magnífica festa. Em meio à alegria e aos divertimentos, pensou: “50 anos é muito tempo. Quer saber de uma coisa? Vou fazer uma divisão inteligente: nos primeiros 25 anos, gozarei a vida e nos 25 restantes me prepararei seriamente para a morte”.
Passou, assim, 25 anos de diversões, caçadas, festas, alegria contínua. Mas... escoaram-se muito rapidamente! Então, o Conde decidiu: “Ora, ora, 25 anos é tempo demais de preparação para a morte. Assim, os próximos 15 anos serão um prolongamento dos 25 que já se foram. Quando faltarem só 10, aí sim, me prepararei seriamente”.
E assim sucedeu... Foram mais 15 anos de prazeres, que transcorreram mais rapidamente que os 25 anteriores. A cada término de prazo, o Conde fazia nova “divisão inteligente” do tempo restante, chegando, desta forma, ao derradeiro mês de sua vida.
Um mês apenas!... Era, pois, preciso despedir-se dos familiares e amigos. Mandou carta a todos os nobres vizinhos, convidando-os para uma grande caçada. Em 25 dias, estavam todos reunidos no seu castelo. Foram três dias de intensa comemoração.
Restavam-lhe agora apenas dois dias!
“Não posso deixar sair meus convidados sem um banquete de despedida” — pensou o Conde. E marcou um monumental almoço para o dia 25 de outubro, seu último dia de vida!
Após o banquete, sentiu necessidade de descansar um pouco, para poder então fazer uma boa confissão. Já deitado, sentiu as primeiras dores da morte iminente, chamou um criado e, com voz cavernosa, mandou trazer depressa um padre.
O fiel servo correu ao vilarejo próximo, à procura do Pároco. Enquanto isso, o Conde Rodolfo — que desperdiçara 50 anos de prazo para preparar-se — começou a ver vultos movimentando-se em torno de sua cama, como que à espera do momento de levá-lo para o inferno. Ofegante, observava a ampulheta do tempo prestes a esgotar-se. Faltando apenas cinco minutos para meia-noite, ouviu o ruído da carruagem que se aproximava, com o padre.
Tarde demais!... Antes de entrar o sacerdote, soou o primeiro badalar dos sinos, anunciando um novo dia!
Desesperado, o Conde soltou um horrível brado e... acordou verdadeiramente. Com grande alívio, percebeu que estava diante do crucifixo enferrujado da capela em ruínas no meio da floresta, onde entrara para repousar poucas horas antes.
Tudo não passara de um sonho.
De um mero sonho, não! Pois o jovem Conde Rodolfo tomou a sério o misericordioso aviso. Daí em diante, seguiu decididamente o caminho da virtude e da devoção a Nossa Senhora. Pelo exame de consciência diário e pela confissão frequente, manteve-se sempre preparado para o último e mais importante dia de sua vida: o dia de seu encontro com Deus.