Os Arautos do Evangelho percorreram as ruas da Paróquia Nossa Senhora das Graças levando a Imagem do Menino Jesus aos lares.
terça-feira, 23 de dezembro de 2014
quarta-feira, 3 de dezembro de 2014
sexta-feira, 22 de agosto de 2014
Ó Cruz, única esperança!
O culto oito vezes
secular à “Santíssima e Vera Cruz” de Caravaca lembra-nos que o Sagrado Madeiro
não é símbolo de morte e de derrota, mas sim anúncio de salvação e caminho
seguro para a glória celeste.
Corria o ano de 1232.
A Península Ibérica encontrava-se ainda em plena Reconquista, dividida em
vários reinos. Sancho II governava em Portugal; Jaime I, em Aragão; e Fernando
III, o Rei Santo, em Leão e Castela.
Do lado muçulmano, o
declínio da dinastia Almóada fora aproveitado por Ibn-Hud para se apossar de
uma ampla região do sul da Espanha e se fazer proclamar emir em Múrcia. A
cidade de Valência, entretanto, era ainda governada por Ceyt Abu-Ceyt,
descendente daquela dinastia. Sob o domínio deste último encontrava-se a
fortaleza de Caravaca, em cujo alcácer, segundo a tradição histórica local,
deu-se no dia 3 de maio desse ano, “um acontecimento maravilhoso e único”.
Acompanhemos o relato
que dele nos fazem as antigas crônicas.
Dando ocupação aos prisioneiros
Encontrando-se
naquela fortaleza, e visando tirar melhor proveito dos prisioneiros que lá
havia, o governador Abu-Ceyt começou a interrogá-los sobre a respectiva
profissão e ocupá-los segundo as respectivas aptidões. Quando chegou a vez do
padre Ginés Pérez Chirinos, o governador perguntou-lhe:
— E tu, que sabes
fazer?
— Eu sei celebrar
Missa.
— O que significa
isso? — replicou Abu-Ceyt.
Padre Ginés
explicou-lhe ser o mais alto e principal encargo do sacerdote cristão celebrar
a Eucaristia, instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo na Última Ceia. Durante
a mesma, esclareceu, o pão e o vinho passam a ser o Corpo e o Sangue do Deus
verdadeiro.
— Não acredito! —
replicou-lhe incrédulo. Mostra-me como isso acontece.
— Se me deres quanto
preciso para celebrar Missa, eu o farei — redarguiu o sacerdote.
Abu-Ceyt aquiesceu.
Feita a lista dos paramentos e alfaias litúrgicas necessários, o alcaide mandou
logo providenciá-los.
Milagrosa aparição da Cruz
No dia seguinte, o
padre Chirinos rezou bem de manhã seu breviário. Logo após, dirigiu-se ao salão
principal da fortaleza, onde fez cuidadosamente todos os preparativos para a
Eucaristia e vestiu os paramentos.
Já seguia rumo ao
improvisado altar para dar início à celebração quando percebeu a ausência do
crucifixo. Sem conseguir explicar como pudera esquecê-lo, disse consternado ao
governador:
— Senhor, falta-me
uma das coisas mais importantes para celebrar a Missa: a Cruz.
— Mas... não é isso
que está em cima da mesa? — perguntou o alcaide apontando para o altar.
O sacerdote voltou-se
e viu, admirado, uma Cruz patriarcal de 17cm de altura com duas hastes
transversais, de 7 e 10cm. Transido de devoção, ajoelhou-se, osculou-a e deu
início à Santa Missa, terminada a qual, Abu-Ceyt pediu para ser batizado.
Oito séculos de devoção
A Cruz de Caravaca é
um lignum crucis — fragmento da verdadeira Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo —
recolhido no interior de um belo relicário. Segundo antiga tradição, este era
usado como cruz peitoral pelo Patriarca de Jerusalém, Dom Roberto, empossado
como Bispo da Cidade Santa no ano de 1099. Daí o seu singular formato, com duas
hastes transversais, símbolo do poder patriarcal.
Sejam quais forem as
circunstâncias em que ela chegou a Caravaca, não se pode duvidar de sua
presença na cidade em pleno século XIII. Já no ano de 1285 sua silhueta é
representada no escudo da municipalidade, e datam da mesma época os primeiros
relatos orais do miraculoso aparecimento.
Desde os primórdios,
a devoção à “Santíssima e Vera Cruz” de Caravaca difundiu-se por todo o mundo
cristão. Da Espanha medieval — onde logo adquire fama de milagrosa protetora na
tormentosa vida fronteiriça— passou para os outros países europeus e
estendeu-se depois às nações americanas.
A partir de 1392 —
quando Clemente VII concede as primeiras indulgências —, os Papas têm outorgado
regularmente privilégios aos peregrinos que acorram a venerar a sagrada
relíquia. Em 1736, é-lhe reconhecido pela Igreja o culto de latria.
Ao longo desses quase
oito séculos, desenvolveu-se também um rico e variado ritual em torno dela:
bênção das flores e dos campos, uma peculiar bênção da água e do vinho, além de
uma espécie de romaria durante a qual a sagrada relíquia visita as casas dos
enfermos impedidos de comparecer à igreja.
Em fins do século XV,
a pequena capela do alcácer de Caravaca foi acrescida de uma nave de maiores
proporções. E, em 1617, iniciou-se a construção da atual Basílica-Santuário.
Também o relicário
que contém o lignum crucis tem passado por sucessivas reformas, sendo o atual
uma maravilhosa obra de ourivesaria, ornada com pedras preciosas.
Revista Arautos do Evangelho n.105 set 2010
terça-feira, 27 de maio de 2014
Refletindo com Padre Pio
Padre Pio abrasado pelo amor a
Nosso Senhor Jesus Cristo empregou sua vida para a salvação das almas. Eis
algumas de suas frases:
“Resigna-te a ser neste momento
uma pequena abelha. E enquanto esperas ser uma grande abelha, ágil, hábil,
capaz de fabricar bom mel, humilha-te com muito amor perante Deus e os homens,
pois Deus fala aos que se mantêm diante dele humildemente”.
“O verdadeiro servo de Deus é
aquele que usa a caridade para com seu próximo, que está decidido a fazer a
vontade de Deus a todo custo, que vive em profunda humildade e
simplicidade”.
“O Santo Rosário é a arma
daqueles que querem vencer todas as batalhas.”
“Amar significa dar aos outros
– especialmente a quem precisa e a quem sofre – o que de melhor temos em nós
mesmos e de nós mesmos; e de dá-lo sorridentes e felizes, renunciando ao nosso
egoísmo, à nossa alegria, ao nosso prazer e ao nosso orgulho”.
quinta-feira, 1 de maio de 2014
domingo, 13 de abril de 2014
O duplo segredo
No fim do século XIX, um virtuoso sacerdote foi injustamente
deportado à Sibéria por guardar o duplo segredo da caridade e da confissão. O
fato, histórico, nos é narrado pela prestigiosa revista “L’Ami du Clergé”,
citando como fonte o jornal “Czas de Cracóvia” dos dias 10 e 13 de fevereiro de
1880.
Em 1853, um sacerdote católico
polonês — o padre Kobélovitch, pároco de Orativ, pequena cidade da Ucrânia —
foi condenado à deportação na Sibéria.
Até então, esse eclesiástico
gozava da melhor reputação possível. Inicialmente, vigário de Biala Tserkva,
havia adquirido fama de excelente pregador e ótimo confessor. Ele era tido como
um dos sacerdotes mais notáveis e zelosos de sua diocese. Nomeado pároco de
Orativ, não tardou em granjear a estima de todos e desdobrou-se em fecundas
atividades. Entre outras realizações, reconstruiu e embelezou em pouco tempo a
igreja paroquial.
Condenado a trabalhos forçados
De repente, para grande
estupefação de todos que o conheciam, o padre Kobélovitch foi acusado de
homicídio. Contra ele existiam as provas mais esmagadoras.
O administrador de uma
propriedade de Orativ tinha sido alvejado por um tiro de fuzil, disparado por
um desconhecido. Imediatamente, várias pessoas acorreram ao presbitério para
chamar o pároco, que era tio da esposa do administrador.
Era uma noite de inverno. O
pároco lá não se encontrava; entretanto, sua cama estava ainda quente. Em vão
procuraram-no por toda parte. Após uma ou duas horas, voltaram ao seu quarto e,
desta vez, acharam-no deitado na cama, dormindo ou parecendo dormir.
Acordaram-no e perguntaram-lhe onde estivera uma hora antes. Visivelmente
perturbado, o padre Kobélovitch declarou não haver-se ausentado e estar
dormindo havia já muito tempo... Isso despertou suspeitas que nem mesmo a dor manifestada
por ele, ao lhe ser anunciado o crime, pôde desviar.
Abriu-se um inquérito judicial.
Por indicação do organista, os policiais descobriram, escondido atrás do altar,
o fuzil de cano duplo do pároco. Era patente que ele tinha sido usado havia
pouco. Esse conjunto de fatos, não era pegar o culpado em flagrante delito?
Consequentemente, o padre foi
detido e encarcerado. Ante o tribunal, protestou inocência, mas negou-se a dar
esclarecimentos sobre sua ausência do presbitério naquela hora da noite. Essa
recusa constituía prova esmagadora contra ele. Assim, foi condenado a trabalhos
forçados para o resto da vida.
Antes, porém, de ser deportado
para a Sibéria, sofreu uma pena ainda mais infamante. O Bispo procedeu à sua
degradação solene, em uma igreja de Jitomir. Entretanto, em meio à multidão que
se acotovelava no templo, só se viam rostos com lágrimas. O próprio Bispo, Dom
Borowski, não conseguiu reter as lágrimas de simpatia para com o sacerdote.
Quanto a este, reafirmou sua inocência mas, sem nada acrescentar, foi deportado
para o distrito de Krasnoyarsk.
Enquanto isto, a esposa do
pristaf (comissário de polícia de Orativ) ficou louca e, em meio a seus
delírios, falava continuamente de padre, de batismo...
— Ele é inocente!...
Salvem-no!... Salvem-no! — repetia ela.
Nenhuma atenção lhe foi dada.
Com efeito, que relação poderia ter essas palavras com o caso do padre
Kobélovitch? E, pouco a pouco, fez-se silêncio na região a respeito da memória
do condenado.
Vinte anos mais tarde
Em 1873, morria em Orativ o
organista da igreja paroquial. Antes de exalar o último suspiro, pediu para
chamar a autoridade judicial. E então, na presença do juiz e de um grande
número de pessoas, confessou ter sido ele quem, vinte anos antes, havia matado
o administrador, pois desejava casar-se com sua mulher, tinha escondido o rifle
atrás do altar e orientado as buscas policiais de maneira a levantar suspeitas
contra o pároco.
Ao mesmo tempo, ele revelou o
legítimo motivo da ausência do padre Kobélovitch. Contou como este, no momento
do crime, encontrava-se numa aldeia vizinha, distante alguns quilômetros de
Orativ. O pristaf — que, em virtude do decreto imperial de 1836, tinha sido
“convertido” à força para o cisma moscovita, mas permanecia secretamente
católico — havia solicitado ao padre Kobélovitch que fosse, durante a noite,
batizar seu último filho.
Durante o processo criminal,
esse funcionário, temendo ser ele mesmo deportado para a Sibéria, nada dissera
em defesa do pároco injustamente acusado. Mais corajosa, ou dotada de uma
consciência mais delicada, sua esposa queria revelar tudo ao tribunal, mas o
marido a fechou em casa, impedindo-a de sair. Ela, então, enlouqueceu e foi
internada no hospício Joulté-Dom, em Vilna. Até sua morte, dois anos depois, a
pobre mulher não cessava de falar de batismo, de sacerdote, do papa ortodoxo,
etc., implorando que se libertasse o inocente. Tudo isso, porém, era tomado
como sintomas ordinários de loucura.
Por fim, o organista declarou
que, após a prisão do pároco, fizera-lhe uma visita e confessara o seu crime.
Era um meio seguro de se prevenir contra toda investigação, porque ele bem
conhecia o caráter heroico daquele santo sacerdote.
Portanto, o padre Kobélovitch
estava submetido, havia vinte anos, a uma punição imerecida.
Se quisesse, bastaria ter dito
uma única palavra para ser salvo. Teria podido facilmente justificar sua
ausência momentânea do presbitério, revelando que tinha ido batizar uma criança
na casa do pristaf. Mas, com isso, teria comprometido aquele homem, violador de
uma lei injusta e odiosa. A caridade pedia-lhe que guardasse silêncio, e ele o
guardou.
Ele conhecia, pela confissão, o
verdadeiro culpado. Com uma simples palavra, seria posto em liberdade. Essa
palavra, um sacerdote de Nosso Senhor Jesus Cristo não pode dizê-la, pois as
leis de Deus e as da Igreja o proíbem.
Diante do tribunal e de seu
Bispo, limitou-se a declarar que era inocente.
Tão logo o organista acabou sua
revelação, tomaram-se providências para conceder a liberdade ao prisioneiro.
Era muito tarde: o heroico confessor tinha falecido alguns dias antes. Até o
fim da vida, guardara o duplo segredo da caridade e da confissão! A memória
desse sacerdote permanecerá imortal. A exemplo de São João Nepomuceno, ele
imolou-se por obediência à Santa Igreja.
(Traduzido de “L’Ami du
Clergé”, nº 52, de 23/12/1880, p. 623, 624)
domingo, 6 de abril de 2014
Juventude e velhice
Um dos grandes temores que
angustiam os homens sem fé, fora de dúvida, é o medo de envelhecer. A visão
materialista reduz a vida humana a uma mera questão fisiológica, negando-lhe os
aspectos metafísicos e sobrenaturais. Tomando esse ponto de vista, haverá maior
desgraça do que ficar velho?
O Cristianismo, pelo contrário,
reconhece esta suprema realidade que é a alma e dá, assim, à existência do
homem um caráter que transcende esta terra e se volta para a eternidade. Há
razões para viver maiores que a própria vida.
Com estas vistas sobrenaturais,
bem compreendemos como homens de grande valor humano e espiritual — por
exemplo, São João Bosco, São Pio X ou São Pio de Pietrelcina — caminharam com
tanta segurança, alegria e mesmo ufania nas vias da ancianidade. Em cada um, o
corpo envelheceu, mas o espírito permaneceu jovem, por estarem eles sempre
voltados para o supremo ideal, que é a glória de Deus e o bem do próximo.
O conhecido escritor americano
de origem alemã, Samuel Ullman (1840-1924), em seu famoso poema Youth
(Juventude), soube traduzir esta cativante questão tão bem solucionada pelo
ensino cristão:
“A juventude não corresponde a
um período de nossa vida, mas sim a um estado de espírito, uma resultante da
vontade, um predicado da imaginação, uma intensidade emotiva, uma vitória da
coragem sobre a timidez, do gosto pela aventura sobre o amor ao conforto.
Não envelhecemos por termos
vivido um certo número de anos. Ficamos velhos porque desertamos nosso ideal.
Os anos enrugam a pele;
renunciar a um ideal enruga a alma. As preocupações, as dúvidas, os temores e
os desesperos, eis os inimigos que, lentamente, nos fazem inclinar rumo à terra
e tornar-nos pó antes da morte.
Jovem é aquele que se assombra
e se maravilha. Assim como um menino insaciável, ele pergunta: “E o que mais?”
Ele desafia os acontecimentos e acha graça no jogo da vida.
Serás tão jovem quanto tua fé;
tão velho quanto tua dúvida. Tão jovem quanto tua confiança em ti mesmo; tão
velho quanto teu abatimento.
Permanecerás jovem enquanto
fores receptivo às mensagens da natureza, do homem e do infinito. Um dia, caso
teu coração tenha sido picado pelo pessimismo e roído pelo cinismo, possa Deus
ter pena de tua pobre alma de ancião!”
Pe.
Fernando Gioia, E.P. Revista Arautos do Evangelho n.71. nov 2007
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