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quarta-feira, 23 de novembro de 2016
terça-feira, 15 de novembro de 2016
Quem se sentir impotente, recorra à ajuda da graça
Não estranhemos
sentir falta de forças para seguirmos as pegadas de Nosso Senhor. Ele próprio sentiu
a fragilidade da natureza humana a ponto de suplicar no Horto das Oliveiras:
“Meu Pai, se é possível, afastai de Mim este cálice!”. Entretanto, acrescentou
ato contínuo uma ressalva na qual revela sua disposição de levar ao extremo o
holocausto de Si mesmo: “Faça-se, todavia, a vossa vontade, e não a minha” (Mt
26, 39). Enviou-Lhe então o Pai um Anjo do Céu para confortá- Lo (cf. Lc 22,
43).
Portanto, quem se
sente impotente por si, recorra à ajuda da graça. Peça com humildade e
confiança, por intermédio d’Aquela que é o Refúgio dos Pecadores. Ela lhe obterá
forças para tornar efetiva a resolução de fazer sempre a vontade de Deus em
cada ato da vida diária.
Quem assim fizer o
holocausto de sua vida terá uma existência feliz nesta Terra, pois cumpriu com
sua missão de batizado, e, sobretudo, quando soar a hora da morte, seu Anjo da
Guarda intercederá por ele junto a Nossa Senhora: “Excelsa Rainha e Mãe, por
vossa misericórdia, este vosso filho combateu o bom combate, terminou sua carreira,
guardou a fé. Pedi agora a Nosso Senhor Jesus Cristo que o receba em sua
glória” (cf. II Tim 4, 7-8).
Revista Arautos do Evangelho - out. 2015
sábado, 5 de novembro de 2016
A mais perfeita das orações
Percorria Jesus a Galileia, pregando
o Evangelho do Reino e curando todas as doenças. Grandes multidões acorriam a
Ele, pois logo se espalhara sua fama pelos países circunvizinhos. Certo dia,
Ele subiu a uma montanha e pôs-Se a ensinar: Bem-aventurados os que têm um
coração de pobre... Amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam... celeste
é perfeito... (cf. Mt 4, 23-25; 5, 1-48).
Mais do que a multidão que Cristo
tinha diante de Si por certo, seu divino olhar considerava naquele momento
também todas as almas fiéis que ao longo dos milênios prestariam ouvidos
atentos às suas palavras.
Portanto, tinha Ele em vista cada um
de nós quando nos ensinou a mais perfeita das orações: "Eis como deveis
rezar: Pai nosso, que estais no Céu..." (Mt 6, 9). Tão
consolador apelativo - Pai nosso! - só podia brotar dos lábios do Filho
Unigênito de Deus. Assumindo nossa carne, Ele nos revelou que temos um Pai nos
Céus.
"Resumo
de todo o Evangelho"
A Oração Dominical - ou Oração do
Senhor - serviu de guia para a piedade dos cristãos de todos os tempos. A
respeito dela, fizeram entusiásticos comentários diversos Padres e Doutores da
Igreja. Tertuliano a qualifica de "resumo de todo oEvangelho".1 Para
São Cipriano, ela é um compêndio da doutrina celeste. Na mesma linha, assegura
Santo Agostinho: "Se percorrerdes todas as palavras das orações das
Sagradas Escrituras, nada encontrareis que não esteja contido na Oração
Dominical".3 E o Doutor Angélico escreve: "Na Oração Dominical, não
somente se pede tudo aquilo que podemos desejar retamente, como também na ordem
em que devemos desejar; de tal forma que essa oração nos ensina não só a pedir,
como também é normativa dos nossos sentimentos".
Com efeito, no Pai-Nosso, as petições
se desdobram como as sete cores do arco-íris da Nova Aliança; são um caminho
luminoso que nos conduz aos tesouros da misericórdia divina. As três primeiras
súplicas põem em exercício as virtudes teologais (fé, esperança e caridade),
porque se ordenam diretamente a Deus: o "vosso nome", o "vosso
Reino" e a "vossa vontade"; as quatro seguintes imploram, no seu
conjunto, proteção e auxílio no exercício das virtudes cardeais (justiça, temperança,
fortaleza e prudência) e constituem apelos de filhos ao Pai:
"dai-nos", "perdoai-nos", "não nos deixeis cair"
e "livrai-nos".
Sete pedidos, apresentados na perfeita
ordem
Inicia-se a Oração Dominical com a
reconfortadora invocação: "Pai nosso, que estais no Céu". Seguem-se
os sete pedidos, na ordem em que devem ser feitos, conforme a observação de São
Tomás:
Santificado seja o vosso nome:
Imploramos aqui o primordial, ou seja, a glória de Deus. Portanto, esta petição
inclui todas as outras.5 Ensina-nos Tertuliano: "Quando dizemos
‘santificado seja o vosso nome', pedimos que ele seja santificado em nós que
estamos nele, mas também nos outros que a graça de Deus ainda aguarda, a fim de
conformar-nos ao preceito que nos obriga a rezar por todos, mesmo por nossos
inimigos".
Venha a nós o vosso Reino: Este
pedido visa a nossa participação na glória de Deus e, para isso, impulsionados
pela esperança, imploramos a "vinda final do Reinado de Deus mediante o
retorno de Cristo",7 a fim de que Ele reine definitivamente em todos os
corações.
Seja feita a vossa vontade assim na Terra como no Céu: Para os homens merecerem entrar na glória celestial, pedimos que todos observem os Mandamentos da Lei divina. "Pela oração é que podemos ‘discernir qual é a vontade de Deus' e obter ‘a perseverança para cumpri-la'. Jesus nos ensina que entramos no Reino dos Céus não por palavras, mas ‘praticando a vontade de meu Pai que está nos Céus' (Mt 7, 21)".
O pão nosso de cada dia nos dai hoje:
Nesta súplica não visamos somente nosso sustento material. "Este pedido e
a responsabilidade que ele implica valem também para outra fome da qual os
homens padecem [...]. Há uma fome na Terra, ‘não fome de pão, nem sede de água,
mas de ouvir a Palavra de Deus' (Am 8, 11). Por isso, o sentido
especificamente cristão deste quarto pedido refere-se ao Pão de Vida: a Palavra
de Deus a ser acolhida na fé, o Corpo de Cristo recebido na Eucaristia".
Perdoai-nos as nossas ofensas, assim
como nós perdoamos aos que nos têm ofendido: Imploramos perdão por todos os
nossos pecados, nos quais trocamos a amizade de Deus pelo amor desregrado a
alguma criatura. E como penhor para sermos atendidos, oferecemos-Lhe o
sacrifício de perdoar "aos que nos têm ofendido". Nossa petição não
será atendida sem o cumprimento desta exigência.10 A isto nos incita também o
Apóstolo: "Perdoai-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou, em
Cristo" (Ef 4, 32).
Não nos deixeis cair em tentação:
Depois de ter implorado com humildade o perdão de nossos pecados, suplicamos a
Deus vigilância, fortaleza e, sobretudo, o auxílio da graça para doravante não
tornar a ofendê-Lo.
Mas livrai-nos do mal: Nesta última
súplica da Oração do Senhor, o "mal" não é uma abstração, mas designa
uma criatura, satanás, "o anjo que se opõe pessoalmente a Deus e ao seu
plano de salvação". Nela, pedimos "para sermos livres de todos os
males, presentes, passados e futuros, dos quais ele é autor ou
instigador".
*****
Quem conforma sua vida aos princípios contidos no
Pai-Nosso, este é um perfeito cristão. Não passemos um dia sequer sem
recitá-lo! Ele nos acompanha desde o início de nossa caminhada rumo à salvação,
pois nossos pais e padrinhos o rezaram na cerimônia de nosso Batismo. E será
rezado pelo sacerdote junto ao sepulcro, ao ser depositado nosso corpo em sua
última morada, à espera da ressurreição.
Revista Arautos do Evangelho, Outubro-2015
domingo, 2 de outubro de 2016
Devoção a Nossa Senhora
Um suspiro de Nossa
Senhora por uma alma vale mais do que as orações de todos os anjos e todos os
santos juntos.
São Luís Grignion de
Montfort
domingo, 25 de setembro de 2016
Santa Teresa de Lisieux
"Eu Te bendigo, Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas
coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos"
(Mt 11, 25). Estas palavras de Nosso Senhor à multidão bem se podem
aplicar a Santa Teresinha do Menino Jesus, a humilde freira carmelita que abriu
às futuras gerações um novo caminho de santificação: a Pequena Via.
Ao proclamá-la Doutora da Igreja em
19 de outubro de 1997, Dia Mundial das Missões, o Papa São João Paulo II
salientou: "Santa Teresa de Lisieux não pôde frequentar uma universidade e
nem sequer os estudos sistemáticos: morreu jovem. Entretanto, a partir de hoje
será honrada como Doutora da Igreja, qualificado reconhecimento que a eleva na
consideração de toda a comunidade cristã, muito para além de quanto possa
fazê-lo um ‘título acadêmico'".
Modelo de santidade para as almas débeis
Considerando sua debilidade e a impossibilidade de santificar-se por suas próprias forças, a jovem carmelita abandonou-se ao amor de Nosso Senhor, com inteira confiança na misericórdia divina, e em pouco tempo atingiu a perfeição. Tornou-se assim modelo para todos quantos se sentem sem condições de imitar os insignes atos de virtude praticados pelos grandes Santos da Cristandade.
Santa Teresinha deixou-nos o itinerário de suas lutas espirituais em três textos redigidos por obediência a suas superioras, os famosos Manuscritos autobiográficos.
Neles, soube ela transmitir as mais elevadas realidades sobrenaturais por meio de singelas comparações, a exemplo do Divino Mestre. Vejamos algumas dessas parábolas.
Parábola das flores do jardim
Sentia ela dificuldades em compreender o motivo pelo qual Deus concedia de modo tão desigual suas graças às almas: algumas as recebiam em tal quantidade que mantinham por toda a vida uma inocência ilibada; outras afundavam-se no pecado, mas o Senhor, por assim dizer, as forçava a se converterem; e outras, como os aborígenes das terras de missão, "morriam em grande número sem ter sequer ouvido pronunciar o nome de Deus". Qual a razão de tal diversidade?
As almas inocentes são capazes de enxergar as realidades sobrenaturais através das criaturas mais simples. Assim, a irmã Teresa encontrou a resposta observando as flores de um jardim: todas são belas, o esplendor da rosa e a alvura do lírio não excluem o perfume da violeta nem a simplicidade do malmequer. Compreendeu então que "se todas as florzinhas quisessem ser rosas, a natureza perderia sua gala primaveril, não haveria mais campos esmaltados de pequenas flores".
E concluiu: "Dá-se o mesmo no mundo das almas, que é o jardim de Jesus. Quis Ele criar os grandes Santos, os quais podem comparar-se aos lírios e às rosas; mas criou também os menores, e estes devem contentar-se em ser malmequeres ou violetas, destinados a deleitar os olhos do Bom Deus, quando os sujeita a seus pés. A perfeição consiste em fazer sua vontade, em ser o que Ele quer que sejamos".
A partir desse momento, numa poética linguagem, ela se identificará com uma frágil florzinha, necessitada de constante ajuda de Deus. Seus pais são comparados a dois pedúnculos dos quais provieram oito lírios e uma florzinha. Quatro lírios, a terra não os viu florescer: são seus irmãos falecidos em tenra idade. Os outros são suas quatro irmãs que ajudaram a florzinha a cada passo, pois ela era a caçula.
Florzinha replantada no Monte Carmelo
Essa pequena flor cresceu e logo manifestou sua beleza espiritual. Mal saíra da infância e já possuía uma das virtudes mais difíceis de adquirir: a renúncia a si mesma. No início, como ela própria disse, sua fisionomia denotava as "marcas da luta" travada para conquistar essa virtude, mas depois se tornou fácil praticá-la.
A leitura da Imitação de Cristo foi fundamental para forjar a alma de Teresinha. Recitava de memória grandes trechos desse livro que ela tomou como guia seguro para a santificação. Assim robustecida, estava a pequena flor preparada para solicitar sua admissão no Carmelo.
Modelo de santidade para as almas débeis
Considerando sua debilidade e a impossibilidade de santificar-se por suas próprias forças, a jovem carmelita abandonou-se ao amor de Nosso Senhor, com inteira confiança na misericórdia divina, e em pouco tempo atingiu a perfeição. Tornou-se assim modelo para todos quantos se sentem sem condições de imitar os insignes atos de virtude praticados pelos grandes Santos da Cristandade.
Santa Teresinha deixou-nos o itinerário de suas lutas espirituais em três textos redigidos por obediência a suas superioras, os famosos Manuscritos autobiográficos.
Neles, soube ela transmitir as mais elevadas realidades sobrenaturais por meio de singelas comparações, a exemplo do Divino Mestre. Vejamos algumas dessas parábolas.
Parábola das flores do jardim
Sentia ela dificuldades em compreender o motivo pelo qual Deus concedia de modo tão desigual suas graças às almas: algumas as recebiam em tal quantidade que mantinham por toda a vida uma inocência ilibada; outras afundavam-se no pecado, mas o Senhor, por assim dizer, as forçava a se converterem; e outras, como os aborígenes das terras de missão, "morriam em grande número sem ter sequer ouvido pronunciar o nome de Deus". Qual a razão de tal diversidade?
As almas inocentes são capazes de enxergar as realidades sobrenaturais através das criaturas mais simples. Assim, a irmã Teresa encontrou a resposta observando as flores de um jardim: todas são belas, o esplendor da rosa e a alvura do lírio não excluem o perfume da violeta nem a simplicidade do malmequer. Compreendeu então que "se todas as florzinhas quisessem ser rosas, a natureza perderia sua gala primaveril, não haveria mais campos esmaltados de pequenas flores".
E concluiu: "Dá-se o mesmo no mundo das almas, que é o jardim de Jesus. Quis Ele criar os grandes Santos, os quais podem comparar-se aos lírios e às rosas; mas criou também os menores, e estes devem contentar-se em ser malmequeres ou violetas, destinados a deleitar os olhos do Bom Deus, quando os sujeita a seus pés. A perfeição consiste em fazer sua vontade, em ser o que Ele quer que sejamos".
A partir desse momento, numa poética linguagem, ela se identificará com uma frágil florzinha, necessitada de constante ajuda de Deus. Seus pais são comparados a dois pedúnculos dos quais provieram oito lírios e uma florzinha. Quatro lírios, a terra não os viu florescer: são seus irmãos falecidos em tenra idade. Os outros são suas quatro irmãs que ajudaram a florzinha a cada passo, pois ela era a caçula.
Florzinha replantada no Monte Carmelo
Essa pequena flor cresceu e logo manifestou sua beleza espiritual. Mal saíra da infância e já possuía uma das virtudes mais difíceis de adquirir: a renúncia a si mesma. No início, como ela própria disse, sua fisionomia denotava as "marcas da luta" travada para conquistar essa virtude, mas depois se tornou fácil praticá-la.
A leitura da Imitação de Cristo foi fundamental para forjar a alma de Teresinha. Recitava de memória grandes trechos desse livro que ela tomou como guia seguro para a santificação. Assim robustecida, estava a pequena flor preparada para solicitar sua admissão no Carmelo.
Para isso, era indispensável o
consentimento paterno. Não poderia ter sido melhor o dia escolhido por ela para
fazer o pedido: a Solenidade de Pentecostes. Depois de suplicar a intercessão
dos santos Apóstolos, pois desejava com suas orações ser apóstolo dos
apóstolos, Teresinha encontrou-se com seu pai no tranquilo ambiente do jardim
da casa. O sol poente dourava as copas das árvores quando ela lhe abriu o
coração. Após um instante de hesitação - devido à jovem idade da filha, então
com menos de 15 anos -, ele percebeu ser essa a vontade de Deus e logo deu seu
assentimento. Em seguida, aproximou-se de uma mureta, apanhou uma flor branca,
parecida com um lírio em miniatura, e a entregou à filha, explicando-lhe com
que cuidados Deus a fizera nascer e a conservara até aquele dia. Gesto
especialmente simbólico, pois a florzinha fora arrancada com as raízes, como
para ser replantada em outro lugar. Teresinha viu a parábola de sua vida
refletida nessa singela planta: "Era bem isso que meu Papai acabava de
fazer por mim, dando-me permissão para subir a montanha do Carmelo e deixar o
doce vale testemunha de meus primeiros passos na vida".
A Santa de Lisieux guardou-a entre as páginas da Imitação de Cristo, no capítulo intitulado Devemos amar Jesus sobre todas as coisas. Quando redigia seus manuscritos, já próxima do limiar da eternidade, percebeu que se rompera a haste da simbólica flor: "Assim parece o Bom Deus indicar-me que, dentro em breve, romperá os liames de sua florzinha, não a deixando murchar sobre a terra!".
"Não sou uma águia..."
Entretanto, qual seria a vocação específica de Teresa? Caminhando pelos claustros do convento, ela se interrogava a este respeito. Desejava ardentemente o martírio, mas isto não lhe bastava: queria ser também missionário, doutor, guerreiro, profeta, apóstolo. Uma só missão não satisfazia o seu fervor, almejava ser tudo ao mesmo tempo! Encontrou afinal a resposta nos capítulos 12 e 13 da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: o amor abrange todas as vocações. E exclamou, transbordante de contentamento: "No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor... assim serei tudo, assim meu sonho se realizará!".
A Santa de Lisieux guardou-a entre as páginas da Imitação de Cristo, no capítulo intitulado Devemos amar Jesus sobre todas as coisas. Quando redigia seus manuscritos, já próxima do limiar da eternidade, percebeu que se rompera a haste da simbólica flor: "Assim parece o Bom Deus indicar-me que, dentro em breve, romperá os liames de sua florzinha, não a deixando murchar sobre a terra!".
"Não sou uma águia..."
Entretanto, qual seria a vocação específica de Teresa? Caminhando pelos claustros do convento, ela se interrogava a este respeito. Desejava ardentemente o martírio, mas isto não lhe bastava: queria ser também missionário, doutor, guerreiro, profeta, apóstolo. Uma só missão não satisfazia o seu fervor, almejava ser tudo ao mesmo tempo! Encontrou afinal a resposta nos capítulos 12 e 13 da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: o amor abrange todas as vocações. E exclamou, transbordante de contentamento: "No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor... assim serei tudo, assim meu sonho se realizará!".
Contudo, convencida estava Teresinha
de ser por demais fraca e imperfeita para tão elevada vocação. Isso,
entretanto, não representava obstáculo para ela, pois era sua própria fraqueza
que lhe dava a audácia de oferecer-se a Jesus como vítima de amor.
E exprimiu, então, com outra bela parábola sua situação no Carmelo: "Não passo de uma débil avezinha coberta apenas de leve penugem. Não sou uma águia, tenho desta unicamente os olhos e o coração, pois, apesar de minha extrema pequenez, ouso fixar o Sol Divino, o Sol de Amor, e meu coração sente todas as aspirações da águia".8 E assim, vendo-se impossibilitada de voar para junto desse Sol, ela o contemplava com amor aqui da Terra.
Como bem reconhecia a ousada carmelita, em sua linguagem figurada, por vezes a avezinha se distraía com bagatelas terrenas, mas depois voltava arrependida, fixava novamente os olhos no Sol e estendia suas asas molhadas para se secarem ao contato com os benéficos raios. Em momentos como esses, recorria com mais ardor às grandes águias - os Anjos e Santos do Céu -, que a auxiliavam a perseverar no amor.
Mas a avezinha sabia também que estava rodeada de perigosos abutres - os demônios -, os quais espreitavam ocasião propícia para apanhá-la. Não tinha medo deles, pois, no centro do Sol, ela via sua grande proteção: a Águia Eterna, Cristo Senhor nosso, defendendo-a de todas as ciladas infernais.
O Reino da Luz e o país das trevas
Uma das mais belas parábolas da Santa de Lisieux foi escrita durante o período em que padeceu terríveis tentações contra a fé. "É preciso ter passado por esse tenebroso túnel para compreender sua escuridão",9 comentou ela.
Na tentativa de dar uma ideia da intensidade dessa provação, a jovem carmelita imagina ter nascido num país coberto por denso nevoeiro, onde não era possível contemplar as maravilhas da natureza banhada pelos raios do Sol. Mas ela tem conhecimento, por intuição e por ter ouvido falar, da existência de um reino luminoso, onde tudo é excelente e admirável, a verdadeira pátria das almas. Por ora, contudo, os homens vivem no país das trevas. O Rei do país luminoso quis abrir os olhos de todos para as maravilhas que os esperam, porém muitos não quiseram ouvi-lo: "As trevas não compreenderam que esse Divino Rei era a luz do mundo...".
Quanto mais ela procura o Reino da Luz, mais as trevas a envolvem e insuflam em sua alma pensamentos de desespero: "Sonhas com a luz, com uma pátria embalsamada dos mais suaves perfumes. Sonhas com a posse eterna do Criador de todas essas maravilhas. Crês poder sair um dia dos nevoeiros que te cercam! Avança, avança! Alegra-te com a morte que te dará, não o que esperas, mas uma noite mais profunda ainda, a noite do nada". De vez em quando, um minúsculo raio de luz lhe trazia um pouco de alento, mas logo depois as trevas a envolviam de novo.
Teresinha nunca cedeu a essa tentação. Enfrentou o inimigo com valentia, a ponto de poder declarar: "Julgo ter feito neste ano mais atos de fé do que durante todo o resto de minha vida". Manifestava sua alegria em sofrer por amor a Jesus, bem como sua disposição de padecer muito mais ainda, se pudesse com isso reparar apenas um pecado contra a fé.
O pincel de Deus
Reconhecendo as raras virtudes da irmã Teresa, a superiora do Carmelo a convidou a ser mestra de noviças. Ela não se julgava à altura desse encargo, mas a obediência a fez perceber nas palavras da superiora a mesma ordem dada pelo Divino Mestre a São Pedro: "Apascenta os meus cordeiros" (Jo 21, 15). Assumiu então a função, mas a título de auxiliar da madre superiora, a qual acumulava os dois cargos.
E exprimiu, então, com outra bela parábola sua situação no Carmelo: "Não passo de uma débil avezinha coberta apenas de leve penugem. Não sou uma águia, tenho desta unicamente os olhos e o coração, pois, apesar de minha extrema pequenez, ouso fixar o Sol Divino, o Sol de Amor, e meu coração sente todas as aspirações da águia".8 E assim, vendo-se impossibilitada de voar para junto desse Sol, ela o contemplava com amor aqui da Terra.
Como bem reconhecia a ousada carmelita, em sua linguagem figurada, por vezes a avezinha se distraía com bagatelas terrenas, mas depois voltava arrependida, fixava novamente os olhos no Sol e estendia suas asas molhadas para se secarem ao contato com os benéficos raios. Em momentos como esses, recorria com mais ardor às grandes águias - os Anjos e Santos do Céu -, que a auxiliavam a perseverar no amor.
Mas a avezinha sabia também que estava rodeada de perigosos abutres - os demônios -, os quais espreitavam ocasião propícia para apanhá-la. Não tinha medo deles, pois, no centro do Sol, ela via sua grande proteção: a Águia Eterna, Cristo Senhor nosso, defendendo-a de todas as ciladas infernais.
O Reino da Luz e o país das trevas
Uma das mais belas parábolas da Santa de Lisieux foi escrita durante o período em que padeceu terríveis tentações contra a fé. "É preciso ter passado por esse tenebroso túnel para compreender sua escuridão",9 comentou ela.
Na tentativa de dar uma ideia da intensidade dessa provação, a jovem carmelita imagina ter nascido num país coberto por denso nevoeiro, onde não era possível contemplar as maravilhas da natureza banhada pelos raios do Sol. Mas ela tem conhecimento, por intuição e por ter ouvido falar, da existência de um reino luminoso, onde tudo é excelente e admirável, a verdadeira pátria das almas. Por ora, contudo, os homens vivem no país das trevas. O Rei do país luminoso quis abrir os olhos de todos para as maravilhas que os esperam, porém muitos não quiseram ouvi-lo: "As trevas não compreenderam que esse Divino Rei era a luz do mundo...".
Quanto mais ela procura o Reino da Luz, mais as trevas a envolvem e insuflam em sua alma pensamentos de desespero: "Sonhas com a luz, com uma pátria embalsamada dos mais suaves perfumes. Sonhas com a posse eterna do Criador de todas essas maravilhas. Crês poder sair um dia dos nevoeiros que te cercam! Avança, avança! Alegra-te com a morte que te dará, não o que esperas, mas uma noite mais profunda ainda, a noite do nada". De vez em quando, um minúsculo raio de luz lhe trazia um pouco de alento, mas logo depois as trevas a envolviam de novo.
Teresinha nunca cedeu a essa tentação. Enfrentou o inimigo com valentia, a ponto de poder declarar: "Julgo ter feito neste ano mais atos de fé do que durante todo o resto de minha vida". Manifestava sua alegria em sofrer por amor a Jesus, bem como sua disposição de padecer muito mais ainda, se pudesse com isso reparar apenas um pecado contra a fé.
O pincel de Deus
Reconhecendo as raras virtudes da irmã Teresa, a superiora do Carmelo a convidou a ser mestra de noviças. Ela não se julgava à altura desse encargo, mas a obediência a fez perceber nas palavras da superiora a mesma ordem dada pelo Divino Mestre a São Pedro: "Apascenta os meus cordeiros" (Jo 21, 15). Assumiu então a função, mas a título de auxiliar da madre superiora, a qual acumulava os dois cargos.
No exercício dessa função, Teresinha
logo notou como as almas são diferentes e, sobretudo, como é delicada a tarefa
de conduzi-las a Deus. Quantas orações, quantos sacrifícios são necessários
para fazer-lhes bem! Aliás, orações e sacrifícios "são as armas
invencíveis que Jesus me deu", declarou a Santa.
Para explicar como concebia o papel de uma mestra de noviças, a jovem carmelita recorreu a uma singela parábola. Se uma tela pintada por um grande artista pudesse pensar e falar, ela por certo não reclamaria por receber sucessivas pinceladas, nem invejaria o pincel, mero instrumento nas mãos do pintor ao qual deve a sua beleza. O pincel, por sua vez, não poderia vangloriar-se do trabalho executado, pois, com bom ou mau instrumento, o que vale de fato é a habilidade do artista. E concluiu: "Minha Madre muito amada, sou um pincelzinho escolhido por Jesus para pintar sua imagem nas almas que me confiastes".
Teresinha exercia com dedicação seu difícil encargo. Como havia já vencido muitas batalhas espirituais, estava preparada para ensinar às suas discípulas o caminho da perfeição. "O amor se nutre de sacrifícios. Quanto mais a alma se recusa as satisfações naturais, tanto mais sua ternura se torna forte e desinteressada" - insistia ela.
Com toda certeza, não imaginava a humilde freira que o Divino Artista, muito mais do que "retocar" detalhes na tela das almas das noviças do Carmelo de Lisieux, usaria aquele humilde pincelzinho para produzir obras de arte em todas as nações do universo. Com efeito, criou Ele condições para os sublimes ensinamentos de Santa Teresinha serem transmitidos às sucessivas gerações, por meio de parábolas, à maneira do Divino Mestre. Método, aliás, muito adequado, segundo São Tomás de Aquino, para instruir tanto os sábios quanto as pessoas simples.
São as parábolas de Santa Teresinha, ademais, vivas e atraentes descrições das batalhas travadas e das vitórias conquistadas por ela no decorrer de sua breve existência. Saibamos aproveitar, para nossa própria santificação, as lições nelas contidas.
Para explicar como concebia o papel de uma mestra de noviças, a jovem carmelita recorreu a uma singela parábola. Se uma tela pintada por um grande artista pudesse pensar e falar, ela por certo não reclamaria por receber sucessivas pinceladas, nem invejaria o pincel, mero instrumento nas mãos do pintor ao qual deve a sua beleza. O pincel, por sua vez, não poderia vangloriar-se do trabalho executado, pois, com bom ou mau instrumento, o que vale de fato é a habilidade do artista. E concluiu: "Minha Madre muito amada, sou um pincelzinho escolhido por Jesus para pintar sua imagem nas almas que me confiastes".
Teresinha exercia com dedicação seu difícil encargo. Como havia já vencido muitas batalhas espirituais, estava preparada para ensinar às suas discípulas o caminho da perfeição. "O amor se nutre de sacrifícios. Quanto mais a alma se recusa as satisfações naturais, tanto mais sua ternura se torna forte e desinteressada" - insistia ela.
Com toda certeza, não imaginava a humilde freira que o Divino Artista, muito mais do que "retocar" detalhes na tela das almas das noviças do Carmelo de Lisieux, usaria aquele humilde pincelzinho para produzir obras de arte em todas as nações do universo. Com efeito, criou Ele condições para os sublimes ensinamentos de Santa Teresinha serem transmitidos às sucessivas gerações, por meio de parábolas, à maneira do Divino Mestre. Método, aliás, muito adequado, segundo São Tomás de Aquino, para instruir tanto os sábios quanto as pessoas simples.
São as parábolas de Santa Teresinha, ademais, vivas e atraentes descrições das batalhas travadas e das vitórias conquistadas por ela no decorrer de sua breve existência. Saibamos aproveitar, para nossa própria santificação, as lições nelas contidas.
Revista Arautos do Evangelho, Outubro - 2015
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
A Missa explicada por São Pio de Pietrelcina
Padre Pio era o modelo
de cada padre... Não se podia assistir "à sua Missa", sem que nos
tornássemos, quase sem perceber, "participantes" desse drama que se
vivia a cada manhã sobre o altar. Crucificado com o Crucificado, o Padre revivia
a Paixão de Jesus com grande dor, da qual fui testemunha privilegiada, pois lhe
ajudava, na Missa. Ele nos ensinava que nossa Salvação só se poderia obter se,
em primeiro lugar, a Cruz fosse plantada na nossa vida. Dizia: "Creio que
a Santíssima Eucaristia é o grande meio para aspirar à Santa Perfeição, mas é
preciso recebê La com o desejo e o engajamento de arrancar, do próprio coração,
tudo o que desagrada Àquele que queremos ter em nós".(27 de julho 1917).
Pouco depois da minha
ordenação sacerdotal, explicou me ele que, durante a celebração da Eucaristia,
era preciso colocar em paralelo a cronologia da Missa e a da Paixão. Trata se,
antes de tudo, de compreender e de perceber que o Padre no altar “é” Jesus
Cristo. Do sinal da Cruz inicial até o Ofertório, é preciso ir encontrar Jesus
no Getsemani, é preciso seguir Jesus na Sua agonia, sofrendo diante deste
"mar de lama" do pecado. E, a partir desta visão, é preciso escutar
as leituras da Missa como sendo dirigidas a nós, pessoalmente.
O Ofertório: É a prisão,
chegou a hora... O Prefácio: É o canto de louvor e de agradecimento que Jesus
dirige ao Pai, e que Lhe permitiu, enfim, chegar a esta "Hora". Desde
o início da oração Eucarística até a Consagração: Nós nos unimos a Jesus em Seu
aprisionamento, em Sua atroz flagelação, na Sua coroação de espinhos e Seu
caminhar com a Cruz nas costas, pelas ruelas de Jerusalém e, no
"Memento", olhando todos os presentes e aqueles pelos quais rezamos
especialmente.
A Consagração nos dá o
Corpo entregue agora, o Sangue derramado agora. Misticamente, é a própria
crucifixão do Senhor. E é por isso que Padre Pio sofria atrozmente neste
momento da Missa. Nós nos uníamos em seguida a Jesus na Cruz, oferecendo ao
Pai, desde esse instante, o Sacrifício Redentor. Este é o sentido da oração
litúrgica que segue imediatamente à Consagração.
"Por Cristo com Cristo e em Cristo"
corresponde ao brado de Jesus: "Pai, nas Tuas Mãos entrego o Meu
Espírito!" Desde então, o sacrifício é consumado por Cristo e aceito pelo
Pai. Daqui por diante, os homens não mais estão separados de Deus e se
encontram de novo unidos. É a razão pela qual, nesse instante, recita se a
oração de todos os filhos: "Pai Nosso...".
A fração da hóstia
indica a Morte de Jesus... A Intinção, instante em que o Padre, tendo partido a
Hóstia (símbolo da morte...), deixa cair uma parcela do Corpo de Cristo no
cálice do Precioso Sangue, marca o momento da Ressurreição, pois o Corpo e o
Sangue estão de novo reunidos e é a Cristo Vivo que vamos comungar. A Bênção do
Padre marca os fiéis com a Cruz, ao mesmo tempo como um extraordinário
distintivo e como um escudo protetor contra os assaltos do maligno.
Depois de ter escutado
uma tal explicação dos lábios do próprio Padre Pio e sabendo bem que ele vivia
dolorosamente tudo aquilo, compreende-se que me tenha pedido de segui-lo neste
caminho... o que eu fazia cada dia... E com que alegria!
Fonte:
Tradition Catolica, nº 141, nov/1998, citando "Assim Falou o Padre
Pio" (S. Giovanni Rotondo, Foggia, Itália, 1974) com o Imprimatur de D.
Fanton, Bispo Auxiliar de Vicenza (com pequenas adaptações). Autor: Pe. Jean
Derobert. Publicado na Catolicanet, em 12/3/2004.
terça-feira, 7 de junho de 2016
Ação de graças após a Sagrada Comunhão
Numa igreja de
Roma, em fins do século XVI, o sacerdote termina de celebrar a Missa e sai
apressadamente da sacristia. Anda pela rua a passos rápidos, impelido por
importantes ocupações de seu ministério. Não sem grande surpresa, percebe que
seus dois coroinhas, revestidos ainda de túnica e sobrepeliz o alcançam e se
põem a seu lado, portando cada qual uma vela acesa... Os transeuntes abrem
alas, com respeito, como para a passagem do Santíssimo Sacramento.
— O que estão
fazendo? — pergunta aos jovens.
— O padre
Filipe nos mandou seguir o senhor!
O ministro de
Deus logo compreende sua falta. Recolhido e contrito, retorna à igreja para
fazer a ação de graças, sempre seguido pelos coroinhas com suas velas acesas,
que indicavam a todos a presença da Sagrada Eucaristia...1
Deste modo
inequívoco, com traços de amabilidade, o fundador da Congregação do Oratório,
São Filipe Neri, procurava advertir seus padres da suma importância de fazer
com respeitoso recolhimento a ação de graças após a Sagrada Comunhão.
Ora, o que o
Santo florentino via e lamentava em sua época, vemo-lo também nós, mutatis
mutandis, no século XXI: muitas vezes, até mesmo pessoas bem intencionadas
descuram o período de ação de graças, não dando a devida importância às
Sagradas Espécies que acabam de receber.
É o próprio Cristo que recebemos
Para melhor
compreendermos a inefável graça que recebemos ao comungar, é imprescindível
lembrarmos de que é o próprio Deus, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, que penetra
no nosso interior. A Sagrada Hóstia que o sacerdote nos entrega em nada se
diferencia das que adoramos no tabernáculo ou no ostensório. Por isso, alguns
teólogos não hesitam em afirmar que poderíamos nos ajoelhar diante de quem
acabou de comungar, como o fazemos diante do sacrário, uma vez que Deus está
realmente presente tanto num quanto no outro.2
Recordando
esta verdade, o Papa Bento XVI inicia sua Exortação Apostólica Pós-Sinodal
Sacramentum Caritatis dizendo: “Sacramento da caridade, a Santíssima Eucaristia
é a doação que Jesus Cristo faz de Si mesmo, revelando-nos o amor infinito de
Deus por cada homem”.3 Mais adiante, no mesmo documento, nos aconselha que “não
seja transcurado o tempo precioso de ação de graças depois da Comunhão”,4 e
salienta a conveniência de permanecermos recolhidos em silêncio durante esta.
Na Última
Ceia, Cristo declarou aos Apóstolos que havia desejado ardentemente dar-lhes
seu Corpo e seu Sangue como alimento espiritual (cf. Lc 22, 15-20). Assim como
Se deu a eles naquela ocasião, dá-Se a nós em cada Santa Missa, com uma vontade
de visitar-nos maior do que o nosso desejo de recebê-Lo. Como, pois, não
aproveitarmos esses instantes de intimidade nos quais temos Deus presente, de fato,
em nosso coração?
Cf. SÃO LEONARDO DE
PORTO-MAURÍCIO, . Raccolta delle Opere Sacro- -Moral. Venezia: Giuseppe Antonelli,
1840, v.VII, p.14.
2 Cf. MONSABRÉ, OP,
Jacques-Marie Louis. La communion. In: Conférences de Notre-Dame de Paris.
Carême 1884. Paris: L’Année Dominicaine, 1884, p.9.
3 BENTO XVI. Sacramentum Caritatis,
n.1.
Texto extraído da Revista Arautos out 2013
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