domingo, 25 de setembro de 2016

Santa Teresa de Lisieux

"Eu Te bendigo, Pai, Senhor do Céu e da Terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequenos" (Mt 11, 25). Estas palavras de Nosso Senhor à multidão bem se podem aplicar a Santa Teresinha do Menino Jesus, a humilde freira carmelita que abriu às futuras gerações um novo caminho de santificação: a Pequena Via. 

Ao proclamá-la Doutora da Igreja em 19 de outubro de 1997, Dia Mundial das Missões, o Papa São João Paulo II salientou: "Santa Teresa de Lisieux não pôde frequentar uma universidade e nem sequer os estudos sistemáticos: morreu jovem. Entretanto, a partir de hoje será honrada como Doutora da Igreja, qualificado reconhecimento que a eleva na consideração de toda a comunidade cristã, muito para além de quanto possa fazê-lo um ‘título acadêmico'".

Modelo de santidade para as almas débeis

Considerando sua debilidade e a impossibilidade de santificar-se por suas próprias forças, a jovem carmelita abandonou-se ao amor de Nosso Senhor, com inteira confiança na misericórdia divina, e em pouco tempo atingiu a perfeição. Tornou-se assim modelo para todos quantos se sentem sem condições de imitar os insignes atos de virtude praticados pelos grandes Santos da Cristandade.

Santa Teresinha deixou-nos o itinerário de suas lutas espirituais em três textos redigidos por obediência a suas superioras, os famosos Manuscritos autobiográficos.

Neles, soube ela transmitir as mais elevadas realidades sobrenaturais por meio de singelas comparações, a exemplo do Divino Mestre. Vejamos algumas dessas parábolas.

Parábola das flores do jardim

Sentia ela dificuldades em compreender o motivo pelo qual Deus concedia de modo tão desigual suas graças às almas: algumas as recebiam em tal quantidade que mantinham por toda a vida uma inocência ilibada; outras afundavam-se no pecado, mas o Senhor, por assim dizer, as forçava a se converterem; e outras, como os aborígenes das terras de missão, "morriam em grande número sem ter sequer ouvido pronunciar o nome de Deus". Qual a razão de tal diversidade?

As almas inocentes são capazes de enxergar as realidades sobrenaturais através das criaturas mais simples. Assim, a irmã Teresa encontrou a resposta observando as flores de um jardim: todas são belas, o esplendor da rosa e a alvura do lírio não excluem o perfume da violeta nem a simplicidade do malmequer. Compreendeu então que "se todas as florzinhas quisessem ser rosas, a natureza perderia sua gala primaveril, não haveria mais campos esmaltados de pequenas flores".

E concluiu: "Dá-se o mesmo no mundo das almas, que é o jardim de Jesus. Quis Ele criar os grandes Santos, os quais podem comparar-se aos lírios e às rosas; mas criou também os menores, e estes devem contentar-se em ser malmequeres ou violetas, destinados a deleitar os olhos do Bom Deus, quando os sujeita a seus pés. A perfeição consiste em fazer sua vontade, em ser o que Ele quer que sejamos".

A partir desse momento, numa poética linguagem, ela se identificará com uma frágil florzinha, necessitada de constante ajuda de Deus. Seus pais são comparados a dois pedúnculos dos quais provieram oito lírios e uma florzinha. Quatro lírios, a terra não os viu florescer: são seus irmãos falecidos em tenra idade. Os outros são suas quatro irmãs que ajudaram a florzinha a cada passo, pois ela era a caçula.

Florzinha replantada no Monte Carmelo

Essa pequena flor cresceu e logo manifestou sua beleza ­espiritual. Mal saíra da infância e já possuía uma das virtudes mais difíceis de adquirir: a renúncia a si mesma. No início, como ela própria disse, sua fisionomia denotava as "marcas da luta" travada para conquistar essa virtude, mas depois se tornou fácil praticá-la.

A leitura da Imitação de Cristo foi fundamental para forjar a alma de Teresinha. Recitava de memória grandes trechos desse livro que ela tomou como guia seguro para a santificação. Assim robustecida, estava a pequena flor preparada para solicitar sua admissão no Carmelo. 
Para isso, era indispensável o consentimento paterno. Não poderia ter sido melhor o dia escolhido por ela para fazer o pedido: a Solenidade de Pentecostes. Depois de suplicar a intercessão dos santos Apóstolos, pois desejava com suas orações ser apóstolo dos apóstolos, Teresinha encontrou-se com seu pai no tranquilo ambiente do jardim da casa. O sol poente dourava as copas das árvores quando ela lhe abriu o coração. Após um instante de hesitação - devido à jovem idade da filha, então com menos de 15 anos -, ele percebeu ser essa a vontade de Deus e logo deu seu assentimento. Em seguida, aproximou-se de uma mureta, apanhou uma flor branca, parecida com um lírio em miniatura, e a entregou à filha, explicando-lhe com que cuidados Deus a fizera nascer e a conservara até aquele dia. Gesto especialmente simbólico, pois a florzinha fora arrancada com as ­raízes, como para ser replantada em outro lugar. Teresinha viu a parábola de sua vida refletida nessa singela planta: "Era bem isso que meu Papai acabava de fazer por mim, dando-me permissão para subir a montanha do Carmelo e deixar o doce vale testemunha de meus primeiros passos na vida".

A Santa de Lisieux guardou-a entre as páginas da Imitação de Cristo, no capítulo intitulado Devemos amar Jesus sobre todas as coisas. Quando redigia seus manuscritos, já próxima do limiar da eternidade, percebeu que se rompera a haste da simbólica flor: "Assim parece o Bom Deus indicar-me que, dentro em breve, romperá os liames de sua florzinha, não a deixando murchar sobre a terra!".

"Não sou uma águia..."


Entretanto, qual seria a vocação específica de Teresa? Caminhando pelos claustros do convento, ela se interrogava a este respeito. Desejava ardentemente o martírio, mas isto não lhe bastava: queria ser também missionário, doutor, guerreiro, profeta, apóstolo. Uma só missão não satisfazia o seu fervor, almejava ser tudo ao mesmo tempo! Encontrou afinal a resposta nos capítulos 12 e 13 da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios: o amor abrange todas as vocações. E exclamou, transbordante de contentamento: "No coração da Igreja, minha Mãe, eu serei o amor... assim serei tudo, assim meu sonho se realizará!".

Contudo, convencida estava Teresinha de ser por demais fraca e imperfeita para tão elevada vocação. Isso, entretanto, não representava obstáculo para ela, pois era sua própria fraqueza que lhe dava a audácia de oferecer-se a Jesus como vítima de amor.

E exprimiu, então, com outra bela parábola sua situação no Carmelo: "Não passo de uma débil avezinha coberta apenas de leve penugem. Não sou uma águia, tenho desta unicamente os olhos e o coração, pois, apesar de minha extrema pequenez, ouso fixar o Sol Divino, o Sol de Amor, e meu coração sente todas as aspirações da águia".8 E assim, vendo-se impossibilitada de voar para junto desse Sol, ela o contemplava com amor aqui da Terra.

Como bem reconhecia a ousada carmelita, em sua linguagem figurada, por vezes a avezinha se distraía com bagatelas terrenas, mas depois voltava arrependida, fixava novamente os olhos no Sol e estendia suas asas molhadas para se secarem ao contato com os benéficos raios. Em momentos como esses, recorria com mais ardor às grandes águias - os Anjos e Santos do Céu -, que a auxiliavam a perseverar no amor.

Mas a avezinha sabia também que estava rodeada de perigosos abutres - os demônios -, os quais espreitavam ocasião propícia para apanhá-la. Não tinha medo deles, pois, no centro do Sol, ela via sua grande proteção: a Águia Eterna, Cristo Senhor nosso, defendendo-a de todas as ciladas infernais.

O Reino da Luz e o país das trevas

Uma das mais belas parábolas da Santa de Lisieux foi escrita durante o período em que padeceu terríveis tentações contra a fé. "É preciso ter passado por esse tenebroso túnel para compreender sua escuridão",9 comentou ela.

Na tentativa de dar uma ideia da intensidade dessa provação, a jovem carmelita imagina ter nascido num país coberto por denso nevoeiro, onde não era possível contemplar as maravilhas da natureza banhada pelos raios do Sol. Mas ela tem conhecimento, por intuição e por ter ouvido falar, da existência de um reino luminoso, onde tudo é excelente e admirável, a verdadeira pátria das almas. Por ora, contudo, os homens vivem no país das trevas. O Rei do país luminoso quis abrir os olhos de todos para as maravilhas que os esperam, porém muitos não quiseram ouvi-lo: "As trevas não compreenderam que esse Divino Rei era a luz do mundo...".

Quanto mais ela procura o Reino da Luz, mais as trevas a envolvem e insuflam em sua alma pensamentos de desespero: "Sonhas com a luz, com uma pátria embalsamada dos mais suaves perfumes. Sonhas com a posse eterna do Criador de todas essas maravilhas. Crês poder sair um dia dos nevoeiros que te cercam! Avança, avança! Alegra-te com a morte que te dará, não o que esperas, mas uma noite mais profunda ainda, a noite do nada". De vez em quando, um minúsculo raio de luz lhe trazia um pouco de alento, mas logo depois as trevas a envolviam de novo.

Teresinha nunca cedeu a essa tentação. Enfrentou o inimigo com valentia, a ponto de poder declarar: "Julgo ter feito neste ano mais atos de fé do que durante todo o resto de minha vida". Manifestava sua alegria em sofrer por amor a Jesus, bem como sua disposição de padecer muito mais ainda, se pudesse com isso reparar apenas um pecado contra a fé.

O pincel de Deus

Reconhecendo as raras virtudes da irmã Teresa, a superiora do Carmelo a convidou a ser mestra de noviças. Ela não se julgava à altura desse encargo, mas a obediência a fez perceber nas palavras da superiora a mesma ordem dada pelo Divino Mestre a São Pedro: "Apascenta os meus cordeiros" (Jo 21, 15). Assumiu então a função, mas a título de auxiliar da madre superiora, a qual acumulava os dois cargos.
No exercício dessa função, Teresinha logo notou como as almas são diferentes e, sobretudo, como é delicada a tarefa de conduzi-las a Deus. Quantas orações, quantos sacrifícios são necessários para fazer-lhes bem! Aliás, orações e sacrifícios "são as armas invencíveis que Jesus me deu", declarou a Santa.

Para explicar como concebia o papel de uma mestra de noviças, a jovem carmelita recorreu a uma singela parábola. Se uma tela pintada por um grande artista pudesse pensar e falar, ela por certo não reclamaria por receber sucessivas pinceladas, nem invejaria o pincel, mero instrumento nas mãos do pintor ao qual deve a sua beleza. O pincel, por sua vez, não poderia vangloriar-se do trabalho executado, pois, com bom ou mau instrumento, o que vale de fato é a habilidade do artista. E concluiu: "Minha Madre muito amada, sou um pincelzinho escolhido por Jesus para pintar sua imagem nas almas que me confiastes".

Teresinha exercia com dedicação seu difícil encargo. Como havia já vencido muitas batalhas espirituais, estava preparada para ensinar às suas discípulas o caminho da perfeição. "O amor se nutre de sacrifícios. Quanto mais a alma se recusa as satisfações naturais, tanto mais sua ternura se torna forte e desinteressada" - insistia ela.

Com toda certeza, não imaginava a humilde freira que o Divino Artista, muito mais do que "retocar" detalhes na tela das almas das noviças do Carmelo de Lisieux, usaria aquele humilde pincelzinho para produzir obras de arte em todas as nações do universo. Com efeito, criou Ele condições para os sublimes ensinamentos de Santa Teresinha serem transmitidos às sucessivas gerações, por meio de parábolas, à maneira do Divino Mestre. Método, aliás, muito adequado, segundo São Tomás de Aquino, para instruir tanto os sábios quanto as pessoas simples.

São as parábolas de Santa Teresinha, ademais, vivas e atraentes descrições das batalhas travadas e das vitórias conquistadas por ela no decorrer de sua breve existência. Saibamos aproveitar, para nossa própria santificação, as lições nelas contidas. 

Revista Arautos do Evangelho, Outubro - 2015


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

A Missa explicada por São Pio de Pietrelcina

Padre Pio era o modelo de cada padre... Não se podia assistir "à sua Missa", sem que nos tornássemos, quase sem perceber, "participantes" desse drama que se vivia a cada manhã sobre o altar. Crucificado com o Crucificado, o Padre revivia a Paixão de Jesus com grande dor, da qual fui testemunha privilegiada, pois lhe ajudava, na Missa. Ele nos ensinava que nossa Salvação só se poderia obter se, em primeiro lugar, a Cruz fosse plantada na nossa vida. Dizia: "Creio que a Santíssima Eucaristia é o grande meio para aspirar à Santa Perfeição, mas é preciso recebê La com o desejo e o engajamento de arrancar, do próprio coração, tudo o que desagrada Àquele que queremos ter em nós".(27 de julho 1917).
Pouco depois da minha ordenação sacerdotal, explicou me ele que, durante a celebração da Eucaristia, era preciso colocar em paralelo a cronologia da Missa e a da Paixão. Trata se, antes de tudo, de compreender e de perceber que o Padre no altar “é” Jesus Cristo. Do sinal da Cruz inicial até o Ofertório, é preciso ir encontrar Jesus no Getsemani, é preciso seguir Jesus na Sua agonia, sofrendo diante deste "mar de lama" do pecado. E, a partir desta visão, é preciso escutar as leituras da Missa como sendo dirigidas a nós, pessoalmente.
O Ofertório: É a prisão, chegou a hora... O Prefácio: É o canto de louvor e de agradecimento que Jesus dirige ao Pai, e que Lhe permitiu, enfim, chegar a esta "Hora". Desde o início da oração Eucarística até a Consagração: Nós nos unimos a Jesus em Seu aprisionamento, em Sua atroz flagelação, na Sua coroação de espinhos e Seu caminhar com a Cruz nas costas, pelas ruelas de Jerusalém e, no "Memento", olhando todos os presentes e aqueles pelos quais rezamos especialmente.
A Consagração nos dá o Corpo entregue agora, o Sangue derramado agora. Misticamente, é a própria crucifixão do Senhor. E é por isso que Padre Pio sofria atrozmente neste momento da Missa. Nós nos uníamos em seguida a Jesus na Cruz, oferecendo ao Pai, desde esse instante, o Sacrifício Redentor. Este é o sentido da oração litúrgica que segue imediatamente à Consagração.
 "Por Cristo com Cristo e em Cristo" corresponde ao brado de Jesus: "Pai, nas Tuas Mãos entrego o Meu Espírito!" Desde então, o sacrifício é consumado por Cristo e aceito pelo Pai. Daqui por diante, os homens não mais estão separados de Deus e se encontram de novo unidos. É a razão pela qual, nesse instante, recita se a oração de todos os filhos: "Pai Nosso...".
A fração da hóstia indica a Morte de Jesus... A Intinção, instante em que o Padre, tendo partido a Hóstia (símbolo da morte...), deixa cair uma parcela do Corpo de Cristo no cálice do Precioso Sangue, marca o momento da Ressurreição, pois o Corpo e o Sangue estão de novo reunidos e é a Cristo Vivo que vamos comungar. A Bênção do Padre marca os fiéis com a Cruz, ao mesmo tempo como um extraordinário distintivo e como um escudo protetor contra os assaltos do maligno.
Depois de ter escutado uma tal explicação dos lábios do próprio Padre Pio e sabendo bem que ele vivia dolorosamente tudo aquilo, compreende-se que me tenha pedido de segui-lo neste caminho... o que eu fazia cada dia... E com que alegria!

Fonte: Tradition Catolica, nº 141, nov/1998, citando "Assim Falou o Padre Pio" (S. Giovanni Rotondo, Foggia, Itália, 1974) com o Imprimatur de D. Fanton, Bispo Auxiliar de Vicenza (com pequenas adaptações). Autor: Pe. Jean Derobert. Publicado na Catolicanet, em 12/3/2004.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Ação de graças após a Sagrada Comunhão

Numa igreja de Roma, em fins do século XVI, o sacerdote termina de celebrar a Missa e sai apressadamente da sacristia. Anda pela rua a passos rápidos, impelido por importantes ocupações de seu ministério. Não sem grande surpresa, percebe que seus dois coroinhas, revestidos ainda de túnica e sobrepeliz o alcançam e se põem a seu lado, portando cada qual uma vela acesa... Os transeuntes abrem alas, com respeito, como para a passagem do Santíssimo Sacramento.
— O que estão fazendo? — pergunta aos jovens.
— O padre Filipe nos mandou seguir o senhor!
O ministro de Deus logo compreende sua falta. Recolhido e contrito, retorna à igreja para fazer a ação de graças, sempre seguido pelos coroinhas com suas velas acesas, que indicavam a todos a presença da Sagrada Eucaristia...1
Deste modo inequívoco, com traços de amabilidade, o fundador da Congregação do Oratório, São Filipe Neri, procurava advertir seus padres da suma importância de fazer com respeitoso recolhimento a ação de graças após a Sagrada Comunhão.
Ora, o que o Santo florentino via e lamentava em sua época, vemo-lo também nós, mutatis mutandis, no século XXI: muitas vezes, até mesmo pessoas bem intencionadas descuram o período de ação de graças, não dando a devida importância às Sagradas Espécies que acabam de receber.
É o próprio Cristo que recebemos
Para melhor compreendermos a inefável graça que recebemos ao comungar, é imprescindível lembrarmos de que é o próprio Deus, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, que penetra no nosso interior. A Sagrada Hóstia que o sacerdote nos entrega em nada se diferencia das que adoramos no tabernáculo ou no ostensório. Por isso, alguns teólogos não hesitam em afirmar que poderíamos nos ajoelhar diante de quem acabou de comungar, como o fazemos diante do sacrário, uma vez que Deus está realmente presente tanto num quanto no outro.2
Recordando esta verdade, o Papa Bento XVI inicia sua Exortação Apostólica Pós-Sinodal Sacramentum Caritatis dizendo: “Sacramento da caridade, a Santíssima Eucaristia é a doação que Jesus Cristo faz de Si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada homem”.3 Mais adiante, no mesmo documento, nos aconselha que “não seja transcurado o tempo precioso de ação de graças depois da Comunhão”,4 e salienta a conveniência de permanecermos recolhidos em silêncio durante esta.
Na Última Ceia, Cristo declarou aos Apóstolos que havia desejado ardentemente dar-lhes seu Corpo e seu Sangue como alimento espiritual (cf. Lc 22, 15-20). Assim como Se deu a eles naquela ocasião, dá-Se a nós em cada Santa Missa, com uma vontade de visitar-nos maior do que o nosso desejo de recebê-Lo. Como, pois, não aproveitarmos esses instantes de intimidade nos quais temos Deus presente, de fato, em nosso coração?
Cf. SÃO LEONARDO DE PORTO-MAURÍCIO, . Raccolta delle Opere Sacro- -Moral. Venezia: Giuseppe Antonelli, 1840, v.VII, p.14.
2 Cf. MONSABRÉ, OP, Jacques-Marie Louis. La communion. In: Conférences de Notre-Dame de Paris. Carême 1884. Paris: L’Année Dominicaine, 1884, p.9.
3 BENTO XVI. Sacramentum Caritatis, n.1.

Texto extraído da Revista Arautos out 2013

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Considerações para a festa de Corpus Christi

O Pão dos fortes

Nas biografias de Jacinta e Francisco, os dois pastorinhos de Fátima recentemente elevados à glória dos altares, leem-se passagens tocantes acerca de seu amor à Sagrada Eucaristia. Sua intensa devoção a “Jesus escondido” — como, de modo encantador, referiam-se ao Santíssimo Sacramento — transpareceu de maneira especial durante a enfermidade que os manteve presos ao leito e os havia de levar, tão jovens ainda, à sepultura.
“Olhe! Vá à igreja, e dê muitas saudades minhas a Jesus escondido”, pedia Francisco à sua prima Lúcia. E, em meio a uma heroica resignação, só lamentava não mais poder rezar e consolar o Santíssimo Sacramento, na igreja paroquial. Perto de sua partida deste mundo, receber a Sagrada Comunhão o inundou de felicidade: “Hoje sou mais feliz do que você”, dizia à irmã, “porque tenho dentro do meu peito a Jesus escondido”.
Quanto a Jacinta, costumava recomendar à prima: “Olhe! Diga a Jesus escondido que eu gosto muito d’Ele, que O amo muito, e que Lhe mando muitas saudades”. E noutra ocasião, quando Lúcia voltava da igreja, disse-lhe: “Chegue aqui bem junto de mim, porque você tem em seu coração a Jesus escondido. É tão bom estar com Ele!”
Essas duas crianças, cuja breve existência foi marcada pelo sacrifício e pela santidade, deixaram-nos assim um grande e sapiencial ensinamento, cuja lembrança é especialmente oportuna em vista da festa de Corpus Christi.

Com razão é a Sagrada Eucaristia chamada de Pão dos fortes, verdadeiro alimento espiritual que não pode faltar à alma. Sem ele, dificilmente o fiel se manterá nas vias da virtude. É um pão sobrenatural que dá à inteligência a limpidez necessária para discernir as verdades da fé, preserva do erro e faz brotar o senso católico. Nenhum recurso é mais poderoso do que a Sagrada Eucaristia, para despertar e solidificar as virtudes.
Texto extraído da Revista Dr Plinio 27 jun 2000

sexta-feira, 1 de abril de 2016

O milagre eucarístico de Tumaco

Numa pequena ilha do litoral Pacífico, em pleno século XX, deu-se um acontecimento cuja grandeza lembra certos feitos extraordinários relatados nas Sagradas Escrituras!
Oficial - Circular - Urgente. Bogotá, 6 de fevereiro de 1906. Governadores, por ordem do Excelentíssimo Senhor Presidente transcrevo seguintes notícias: Tumaco, 31 de janeiro. Hoje às 10h da manhã terrível terremoto. Algumas casas desmanteladas; barracas afundadas; vários armazéns destruídos. [...] Pânico geral, pois o mar ameaça terrivelmente".
Com este dramático telegrama enviado da capital para todo o país, Colômbia tomava conhecimento do acontecido em Tumaco, ilha do litoral sudoeste, parcamente habitada naquele tempo: um movimento sísmico de grandes proporções prenunciava a chegada de um devastador tsunami! E não era a primeira vez que uma onda gigante ameaçava submergi-la...
Uma ilha castigada pelo mar
Dois séculos antes, em 1738, Dom Pedro Vicente Maldonado, governador da antiga província de Esmeraldas, à qual pertencia a ilha, descrevia a realidade com a qual se deparara ao visitar a cidade: "Tumaco estava afastada seis léguas" - medida que equivale a aproximadamente 5,5 km - "da costa [...]. Contava com três quartos de légua de circunferência, tinha o solo arenoso, com árvores frutíferas, e o mar, há pouco, desenterrara os defuntos sepultados na igreja. Possuía 300 habitantes...".

quinta-feira, 24 de março de 2016

Semana Santa

Antigamente as pessoas se aproximavam de Nosso Senhor Jesus Cristo crucificado com um senso sacral, um enlevo, uma admiração, uma ternura enorme. Na Semana Santa ainda havia qualquer coisa dessas, as pessoas se vestiam de preto, não se fazia barulho, as crianças não podiam falar alto, os motores não funcionavam, as chaminés das locomotivas não apitavam, e uma espécie de doçura de dor pairava sobre toda a humanidade. Aí a gente compreendia o que São Luís Grignion fala da suavidade do sofrer. Porque o Nosso Senhor estar presente nesse sofrimento dava uma suavidade, dava uma tranquilidade de alma, dava uma resignação da qual o homem moderno já não tem nenhuma ideia, nenhum conhecimento. 
Plinio Correa de Oliveira

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Quatro jesuítas miraculosamente preservados da hecatombe de Hiroshima

O Superior Provincial da Companhia de Jesus no Japão, Pe. Hugo Lassalle, e outros três jesuítas — Pe. Hubert Schiffer, Pe. Wilhelm Kleinsorge e Pe. Hubert Cieslik — encontravam-se em Hiroshima no trágico dia 6 de agosto de 1945, quando caiu sobre ela a Little Boy, primeira bomba atômica detonada em território habitado.
Moravam na casa paroquial da Igreja Nossa Senhora da Assunção, perto do centro de explosão da bomba que arrasou milhares de imóveis num raio de 3 km e matou cerca de 80 mil pessoas. No momento da detonação, um deles celebrava a Sagrada Eucaristia e os demais cuidavam de seus afazeres cotidianos.
Entretanto, de modo humanamente inexplicável, esses filhos de Santo Inácio escaparam ilesos da catástrofe: nada sofreram, além de pequenos ferimentos causados por estilhaços de vidro. O fato, registrado por historiadores e médicos, tornou-se conhecido como o “milagre de Hiroshima”.
Poucos dias após a explosão, os quatro jesuítas foram submetidos a exames médicos e informados de que, por efeito da radiação, sofreriam graves doenças e teriam morte prematura.
Nada disso aconteceu. Em 1976, o Pe. Hubert Schiffer participou de um congresso nos Estados Unidos e testemunhou que todos estavam vivos e em boa saúde. Ao longo desses anos, eles foram examinados cerca de duzentas vezes por diferentes médicos, sempre com o mesmo resultado: nenhuma consequência da temida radiação.

O Pe. Schiffer narrou em detalhes a história no livro intitulado O Rosário de Hiroshima. E declarou que os quatro atribuíam à mediação da Santíssima Virgem Maria o fato de terem escapado de forma tão miraculosa: “Cremos que sobrevivemos porque vivíamos a mensagem de Fátima” e “rezávamos diariamente o Rosário naquela casa”.