quinta-feira, 18 de agosto de 2016

A Missa explicada por São Pio de Pietrelcina

Padre Pio era o modelo de cada padre... Não se podia assistir "à sua Missa", sem que nos tornássemos, quase sem perceber, "participantes" desse drama que se vivia a cada manhã sobre o altar. Crucificado com o Crucificado, o Padre revivia a Paixão de Jesus com grande dor, da qual fui testemunha privilegiada, pois lhe ajudava, na Missa. Ele nos ensinava que nossa Salvação só se poderia obter se, em primeiro lugar, a Cruz fosse plantada na nossa vida. Dizia: "Creio que a Santíssima Eucaristia é o grande meio para aspirar à Santa Perfeição, mas é preciso recebê La com o desejo e o engajamento de arrancar, do próprio coração, tudo o que desagrada Àquele que queremos ter em nós".(27 de julho 1917).
Pouco depois da minha ordenação sacerdotal, explicou me ele que, durante a celebração da Eucaristia, era preciso colocar em paralelo a cronologia da Missa e a da Paixão. Trata se, antes de tudo, de compreender e de perceber que o Padre no altar “é” Jesus Cristo. Do sinal da Cruz inicial até o Ofertório, é preciso ir encontrar Jesus no Getsemani, é preciso seguir Jesus na Sua agonia, sofrendo diante deste "mar de lama" do pecado. E, a partir desta visão, é preciso escutar as leituras da Missa como sendo dirigidas a nós, pessoalmente.
O Ofertório: É a prisão, chegou a hora... O Prefácio: É o canto de louvor e de agradecimento que Jesus dirige ao Pai, e que Lhe permitiu, enfim, chegar a esta "Hora". Desde o início da oração Eucarística até a Consagração: Nós nos unimos a Jesus em Seu aprisionamento, em Sua atroz flagelação, na Sua coroação de espinhos e Seu caminhar com a Cruz nas costas, pelas ruelas de Jerusalém e, no "Memento", olhando todos os presentes e aqueles pelos quais rezamos especialmente.
A Consagração nos dá o Corpo entregue agora, o Sangue derramado agora. Misticamente, é a própria crucifixão do Senhor. E é por isso que Padre Pio sofria atrozmente neste momento da Missa. Nós nos uníamos em seguida a Jesus na Cruz, oferecendo ao Pai, desde esse instante, o Sacrifício Redentor. Este é o sentido da oração litúrgica que segue imediatamente à Consagração.
 "Por Cristo com Cristo e em Cristo" corresponde ao brado de Jesus: "Pai, nas Tuas Mãos entrego o Meu Espírito!" Desde então, o sacrifício é consumado por Cristo e aceito pelo Pai. Daqui por diante, os homens não mais estão separados de Deus e se encontram de novo unidos. É a razão pela qual, nesse instante, recita se a oração de todos os filhos: "Pai Nosso...".
A fração da hóstia indica a Morte de Jesus... A Intinção, instante em que o Padre, tendo partido a Hóstia (símbolo da morte...), deixa cair uma parcela do Corpo de Cristo no cálice do Precioso Sangue, marca o momento da Ressurreição, pois o Corpo e o Sangue estão de novo reunidos e é a Cristo Vivo que vamos comungar. A Bênção do Padre marca os fiéis com a Cruz, ao mesmo tempo como um extraordinário distintivo e como um escudo protetor contra os assaltos do maligno.
Depois de ter escutado uma tal explicação dos lábios do próprio Padre Pio e sabendo bem que ele vivia dolorosamente tudo aquilo, compreende-se que me tenha pedido de segui-lo neste caminho... o que eu fazia cada dia... E com que alegria!

Fonte: Tradition Catolica, nº 141, nov/1998, citando "Assim Falou o Padre Pio" (S. Giovanni Rotondo, Foggia, Itália, 1974) com o Imprimatur de D. Fanton, Bispo Auxiliar de Vicenza (com pequenas adaptações). Autor: Pe. Jean Derobert. Publicado na Catolicanet, em 12/3/2004.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Ação de graças após a Sagrada Comunhão

Numa igreja de Roma, em fins do século XVI, o sacerdote termina de celebrar a Missa e sai apressadamente da sacristia. Anda pela rua a passos rápidos, impelido por importantes ocupações de seu ministério. Não sem grande surpresa, percebe que seus dois coroinhas, revestidos ainda de túnica e sobrepeliz o alcançam e se põem a seu lado, portando cada qual uma vela acesa... Os transeuntes abrem alas, com respeito, como para a passagem do Santíssimo Sacramento.
— O que estão fazendo? — pergunta aos jovens.
— O padre Filipe nos mandou seguir o senhor!
O ministro de Deus logo compreende sua falta. Recolhido e contrito, retorna à igreja para fazer a ação de graças, sempre seguido pelos coroinhas com suas velas acesas, que indicavam a todos a presença da Sagrada Eucaristia...1
Deste modo inequívoco, com traços de amabilidade, o fundador da Congregação do Oratório, São Filipe Neri, procurava advertir seus padres da suma importância de fazer com respeitoso recolhimento a ação de graças após a Sagrada Comunhão.
Ora, o que o Santo florentino via e lamentava em sua época, vemo-lo também nós, mutatis mutandis, no século XXI: muitas vezes, até mesmo pessoas bem intencionadas descuram o período de ação de graças, não dando a devida importância às Sagradas Espécies que acabam de receber.
É o próprio Cristo que recebemos
Para melhor compreendermos a inefável graça que recebemos ao comungar, é imprescindível lembrarmos de que é o próprio Deus, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, que penetra no nosso interior. A Sagrada Hóstia que o sacerdote nos entrega em nada se diferencia das que adoramos no tabernáculo ou no ostensório. Por isso, alguns teólogos não hesitam em afirmar que poderíamos nos ajoelhar diante de quem acabou de comungar, como o fazemos diante do sacrário, uma vez que Deus está realmente presente tanto num quanto no outro.2
Recordando esta verdade, o Papa Bento XVI inicia sua Exortação Apostólica Pós-Sinodal Sacramentum Caritatis dizendo: “Sacramento da caridade, a Santíssima Eucaristia é a doação que Jesus Cristo faz de Si mesmo, revelando-nos o amor infinito de Deus por cada homem”.3 Mais adiante, no mesmo documento, nos aconselha que “não seja transcurado o tempo precioso de ação de graças depois da Comunhão”,4 e salienta a conveniência de permanecermos recolhidos em silêncio durante esta.
Na Última Ceia, Cristo declarou aos Apóstolos que havia desejado ardentemente dar-lhes seu Corpo e seu Sangue como alimento espiritual (cf. Lc 22, 15-20). Assim como Se deu a eles naquela ocasião, dá-Se a nós em cada Santa Missa, com uma vontade de visitar-nos maior do que o nosso desejo de recebê-Lo. Como, pois, não aproveitarmos esses instantes de intimidade nos quais temos Deus presente, de fato, em nosso coração?
Cf. SÃO LEONARDO DE PORTO-MAURÍCIO, . Raccolta delle Opere Sacro- -Moral. Venezia: Giuseppe Antonelli, 1840, v.VII, p.14.
2 Cf. MONSABRÉ, OP, Jacques-Marie Louis. La communion. In: Conférences de Notre-Dame de Paris. Carême 1884. Paris: L’Année Dominicaine, 1884, p.9.
3 BENTO XVI. Sacramentum Caritatis, n.1.

Texto extraído da Revista Arautos out 2013

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Considerações para a festa de Corpus Christi

O Pão dos fortes

Nas biografias de Jacinta e Francisco, os dois pastorinhos de Fátima recentemente elevados à glória dos altares, leem-se passagens tocantes acerca de seu amor à Sagrada Eucaristia. Sua intensa devoção a “Jesus escondido” — como, de modo encantador, referiam-se ao Santíssimo Sacramento — transpareceu de maneira especial durante a enfermidade que os manteve presos ao leito e os havia de levar, tão jovens ainda, à sepultura.
“Olhe! Vá à igreja, e dê muitas saudades minhas a Jesus escondido”, pedia Francisco à sua prima Lúcia. E, em meio a uma heroica resignação, só lamentava não mais poder rezar e consolar o Santíssimo Sacramento, na igreja paroquial. Perto de sua partida deste mundo, receber a Sagrada Comunhão o inundou de felicidade: “Hoje sou mais feliz do que você”, dizia à irmã, “porque tenho dentro do meu peito a Jesus escondido”.
Quanto a Jacinta, costumava recomendar à prima: “Olhe! Diga a Jesus escondido que eu gosto muito d’Ele, que O amo muito, e que Lhe mando muitas saudades”. E noutra ocasião, quando Lúcia voltava da igreja, disse-lhe: “Chegue aqui bem junto de mim, porque você tem em seu coração a Jesus escondido. É tão bom estar com Ele!”
Essas duas crianças, cuja breve existência foi marcada pelo sacrifício e pela santidade, deixaram-nos assim um grande e sapiencial ensinamento, cuja lembrança é especialmente oportuna em vista da festa de Corpus Christi.

Com razão é a Sagrada Eucaristia chamada de Pão dos fortes, verdadeiro alimento espiritual que não pode faltar à alma. Sem ele, dificilmente o fiel se manterá nas vias da virtude. É um pão sobrenatural que dá à inteligência a limpidez necessária para discernir as verdades da fé, preserva do erro e faz brotar o senso católico. Nenhum recurso é mais poderoso do que a Sagrada Eucaristia, para despertar e solidificar as virtudes.
Texto extraído da Revista Dr Plinio 27 jun 2000

sexta-feira, 1 de abril de 2016

O milagre eucarístico de Tumaco

Numa pequena ilha do litoral Pacífico, em pleno século XX, deu-se um acontecimento cuja grandeza lembra certos feitos extraordinários relatados nas Sagradas Escrituras!
Oficial - Circular - Urgente. Bogotá, 6 de fevereiro de 1906. Governadores, por ordem do Excelentíssimo Senhor Presidente transcrevo seguintes notícias: Tumaco, 31 de janeiro. Hoje às 10h da manhã terrível terremoto. Algumas casas desmanteladas; barracas afundadas; vários armazéns destruídos. [...] Pânico geral, pois o mar ameaça terrivelmente".
Com este dramático telegrama enviado da capital para todo o país, Colômbia tomava conhecimento do acontecido em Tumaco, ilha do litoral sudoeste, parcamente habitada naquele tempo: um movimento sísmico de grandes proporções prenunciava a chegada de um devastador tsunami! E não era a primeira vez que uma onda gigante ameaçava submergi-la...
Uma ilha castigada pelo mar
Dois séculos antes, em 1738, Dom Pedro Vicente Maldonado, governador da antiga província de Esmeraldas, à qual pertencia a ilha, descrevia a realidade com a qual se deparara ao visitar a cidade: "Tumaco estava afastada seis léguas" - medida que equivale a aproximadamente 5,5 km - "da costa [...]. Contava com três quartos de légua de circunferência, tinha o solo arenoso, com árvores frutíferas, e o mar, há pouco, desenterrara os defuntos sepultados na igreja. Possuía 300 habitantes...".

quinta-feira, 24 de março de 2016

Semana Santa

Antigamente as pessoas se aproximavam de Nosso Senhor Jesus Cristo crucificado com um senso sacral, um enlevo, uma admiração, uma ternura enorme. Na Semana Santa ainda havia qualquer coisa dessas, as pessoas se vestiam de preto, não se fazia barulho, as crianças não podiam falar alto, os motores não funcionavam, as chaminés das locomotivas não apitavam, e uma espécie de doçura de dor pairava sobre toda a humanidade. Aí a gente compreendia o que São Luís Grignion fala da suavidade do sofrer. Porque o Nosso Senhor estar presente nesse sofrimento dava uma suavidade, dava uma tranquilidade de alma, dava uma resignação da qual o homem moderno já não tem nenhuma ideia, nenhum conhecimento. 
Plinio Correa de Oliveira

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Quatro jesuítas miraculosamente preservados da hecatombe de Hiroshima

O Superior Provincial da Companhia de Jesus no Japão, Pe. Hugo Lassalle, e outros três jesuítas — Pe. Hubert Schiffer, Pe. Wilhelm Kleinsorge e Pe. Hubert Cieslik — encontravam-se em Hiroshima no trágico dia 6 de agosto de 1945, quando caiu sobre ela a Little Boy, primeira bomba atômica detonada em território habitado.
Moravam na casa paroquial da Igreja Nossa Senhora da Assunção, perto do centro de explosão da bomba que arrasou milhares de imóveis num raio de 3 km e matou cerca de 80 mil pessoas. No momento da detonação, um deles celebrava a Sagrada Eucaristia e os demais cuidavam de seus afazeres cotidianos.
Entretanto, de modo humanamente inexplicável, esses filhos de Santo Inácio escaparam ilesos da catástrofe: nada sofreram, além de pequenos ferimentos causados por estilhaços de vidro. O fato, registrado por historiadores e médicos, tornou-se conhecido como o “milagre de Hiroshima”.
Poucos dias após a explosão, os quatro jesuítas foram submetidos a exames médicos e informados de que, por efeito da radiação, sofreriam graves doenças e teriam morte prematura.
Nada disso aconteceu. Em 1976, o Pe. Hubert Schiffer participou de um congresso nos Estados Unidos e testemunhou que todos estavam vivos e em boa saúde. Ao longo desses anos, eles foram examinados cerca de duzentas vezes por diferentes médicos, sempre com o mesmo resultado: nenhuma consequência da temida radiação.

O Pe. Schiffer narrou em detalhes a história no livro intitulado O Rosário de Hiroshima. E declarou que os quatro atribuíam à mediação da Santíssima Virgem Maria o fato de terem escapado de forma tão miraculosa: “Cremos que sobrevivemos porque vivíamos a mensagem de Fátima” e “rezávamos diariamente o Rosário naquela casa”.